Notícia

Não é só vapor: conheça o cigarro eletrônico e o narguilé

Especialistas alertam que esses produtos podem trazem impactos para a saúde que equivalem ou, até mesmo, superam aqueles dos cigarros comuns

Pixabay

Fonte

Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

Data

terça-feira, 4 junho 2019 10:55

Áreas

Medicina. Pneumologia. Saúde Pública.

Apesar do cigarro eletrônico e do narguilé serem tratados como produtos inofensivos, o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas da Universidade, Dr. Frederico Garcia, explica que o cigarro eletrônico e o narguilé podem conter substâncias tóxicas como a nicotina, o que pode causar dependência. “A maioria das essências de cigarros eletrônicos usam nicotina na composição. Já no narguilé, se utiliza de uma brasa quente para aquecer o fumo, que geralmente é o tabaco”, explica o professor.

No entanto, existe uma grande variedade de cigarros eletrônicos e compostos para a inalação. Em alguns modelos, há a queima de substratos que produzem fumaça. Em outros, substâncias líquidas são usadas para gerar vapor, e não fumaça. A temperatura do vapor também pode variar, assim como os componentes do líquido ou do substrato.

Mais do que vapor

O professor Frederico Garcia reconhece que ainda faltam estudos sobre o tema. No entanto, ele explica que alguns aparelhos liberam uma quantidade maior de nicotina que os cigarros comuns. E mesmo aqueles que não têm nicotina na composição podem representar risco. “Ainda não sabe se esse vapor tem alguma consequência a longo prazo. Ainda não há estudos observando isso. Mas esse vapor não é apenas água, nele contém outras substâncias, como o glicerol e essências. E, quando há uso intenso desses produtos, esse vapor pode irritar as células do pulmão”, afirma.

No narguilé, por sua vez, uma brasa quente aquece o fumo ou a substância que se deseja fumegar. Ao ser aspirado, é produzida uma fumaça que passa por um tubo até o leito de água. Essa água resfria a fumaça, que é aspirada pelo usuário. Mesmo sendo resfriada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em 2005, um relatório no qual alerta que outros venenos da queima do fumo, como monóxido de carbono e metais pesados, continuam intactos e podem fazer mal.

Segundo o Dr. Frederico Garcia, em longo prazo, a inalação da fumaça pode causar problemas mais graves. “Já sabemos que qualquer aspiração de fumaça leva à irritação nos brônquios. Essa irritação pode dar início a um processo inflamatório que predispõem às doenças inflamatórias e, futuramente, ao câncer”, explica o especialista.

Proibido

Mesmo sem estudos sobre a nocividade dos cigarros eletrônicos e o consumo em território brasileiro, a venda desse produto é proibida no país. Ainda assim, é possível perceber maior procura por informações ligadas ao funcionamento e compra desses aparelhos na internet.

Uma das razões dessa proibição está alinhada às políticas de redução do consumo de tabaco adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A decisão de liberar este produto seria paradoxal, pois a agência estaria liberando um produto similar ao tabaco e que tem impactos desconhecidos para a saúde”, explica o professor Frederico Garcia.

O especialista acrescenta que a proibição também está relacionada ao uso desse tipo de cigarro como forma de entrada para o consumo do cigarro branco. “Os jovens começam a usar esse tipo de cigarro com nicotina por diversão e se tornam viciados nessa substância. Como o cigarro eletrônico é mais caro, acontece a troca desse produto por tipos mais baratos como o cigarro branco”, comenta o Dr. Frederico Garcia.

Narguilé

Em contrapartida, não há nenhuma legislação específica para o uso do narguilé. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2015, 212 mil brasileiros admitem ter usado esse acessório para o fumo de tabaco e de outras plantas, geralmente misturados com essências aromatizantes. O narguilé tem origem em países árabes e desembarcou no Brasil junto à importação de outros produtos orientais.

Para o pneumologista do Hospital das Clínicas da UFMG, Dr. Luiz Fernando Ferreira Pereira, o narguilé é considerado um problema de saúde pública, uma vez que as substâncias encontradas são as mesmas do tabaco. “Uma hora de inalação contínua de narguilé equivale à fumaça de 100 cigarros”.

Outro risco, de acordo com o professor Frederico Garcia, é quando esse produto é compartilhado e não há uma higienização. “Com isso, há um risco maior de infecções pulmonares”, alerta.

No Senado, tramita um projeto de lei, o PLC 104/2018, que proíbe a venda de narguilés para crianças e adolescentes. A proibição se estende a acessórios como cachimbos, piteiras e papeis para enrolar cigarro. Para Frederico Garcia, esses produtos transmitem falsa sensação de segurança, porém, não são essenciais para a vida. “O que existe é um apelo por uma criação de uma demanda forçada para esses produtos, principalmente entre os jovens”, conclui o pneumologista.

Acesse a notícia completa na página da Faculdade de Medicina da UFMG.

Fonte: Marcela Brito e Karla Scarmigliat, Faculdade de Medicina da UFMG. Imagem: Pixabay.

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