Notícia

Desafio para a saúde: exercícios físicos contra a dependência química

Por estimular a produção de endorfina e desencadear as mesmas sensações que a droga, como bem estar, prazer e alívio às sensações de desconforto, a atividade física é forte aliada na recuperação e mudança de hábitos

Pixabay

Fonte

UEL | Universidade Estadual de Londrina

Data

segunda-feira, 3 junho 2019 11:05

Áreas

Educação Física. Esportes. Psiquiatria.

O exercício físico pode colaborar no tratamento e na recuperação mais rápida de pacientes que buscam superar a dependência química, considerada um transtorno psiquiátrico e doença crônica progressiva, incurável, mas tratável. O uso frequente de drogas e álcool desenvolve prejuízos neurológicos e constitui hoje um desafio para os estudiosos da saúde humana. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o projeto de pesquisa “Influência de um programa de exercícios físicos no estigma internalizado, autoeficácia e aptidão física de indivíduos em tratamento para dependência química”, iniciado em 2017, tem o objetivo de avaliar indicadores da aptidão física em dependentes químicos internados, a partir de diferentes variáveis, entre elas o equilíbrio, a agilidade e a flexibilidade.

O professor Dr. Hélio Serassuelo Junior, do Departamento de Ciência do Esporte, atua como coordenador do projeto e foi orientador de Bruno Marson Malagodi, que teve sua dissertação vinculada ao estudo, na qual foram gerados três artigos através da coleta de dados de dependentes químicos internados. Por estimular a produção de endorfina e desencadear as mesmas sensações que a droga, como bem estar, prazer e alívio às sensações de desconforto, a atividade física é forte aliada na recuperação e mudança de hábitos desses indivíduos. A prática traz benefícios em curto prazo, faz a pessoa se sentir bem e melhora a autoestima, por exemplo. Em longo prazo, a prática atua na prevenção de doenças crônicas, como obesidade e hipertensão arterial.

Resultados

Os resultados foram obtidos a partir de um protocolo de exercícios físicos multimodais, ou seja, realizados em uma mesma sessão, mas de tipos diversos, que trabalham variáveis como força, resistência e flexibilidade. Como explica Bruno Malagodi, a pluralidade de exercícios foi pensando em uma proposta que fosse mais atraente aos praticantes.

Houve acompanhamento antes e depois desse protocolo, a fim de entender os benefícios da prática do exercício físico diante das variáveis físicas, como também a percepção de um estigma internalizado, ou seja, como o indivíduo que tem problemas com drogas ou álcool percebe o preconceito implícito da sociedade e internaliza esse preconceito.

Servidores técnicos administrativos, alunos e professores da UEL serviram de balizamento na comparação para traçar um perfil de como as variáveis analisadas se comportam nesses indivíduos. “O objetivo principal da intervenção é evidenciar o aspecto de que o uso crônico de substâncias psicoativas deteriora o comportamento motor e algumas variáveis psicológicas”, explica Bruno Malagodi.

A coleta de dados foi feita no Centro de Recuperação de Dependentes Químicos e Alcoólatras e no Centro de Reabilitação, ambos de Londrina, e também no Centro de Recuperação Vida Nova, localizado em Rolândia, região metropolitana de Londrina. A intervenção total levou dois meses, porém com duração menor, já que os pacientes submetidos ao protocolo não chegaram ao mesmo tempo para o tratamento. O acompanhamento nas instituições foi no decorrer de um ano e pouco mais de 20 pacientes foram analisados. Como destaca o coordenador, no contexto da dependência química, é recomendado que se faça tratamento multidisciplinar envolvendo psiquiatras, psicólogos, terapeutas, nutricionistas e também o profissional de educação física. Porém, ainda é pouco explorada a estratégia de aliar o tratamento à prática desportiva como recurso terapêutico. Nas instituições, o exercício é mais utilizado como forma de recreação, sem ser algo estruturado e sistematizado.

De acordo com o professor Hélio, a dissertação é bastante relevante porque não existem referenciais dentro da literatura que trabalhem com o assunto e programas de atividade física voltada a essas pessoas. “Estamos buscando elaborar um trabalho que atenda as expectativas que temos sobre o tema e até pensando em preencher as lacunas dentro da literatura. Essa discussão possibilita abrir um espaço para o profissional de Educação Física fazer parte da equipe que trabalha com a dependência química e transtornos mentais de forma geral”, conclui o pesquisador.

Acesse a notícia completa na página da UEL.

Fonte: Juliana Félix, Agência UEL. Imagem: Pixabay.

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