Notícia

Nanocobre contra vírus e bactérias

Produtos como tintas e tecidos, à base de nanopartículas de cobre, são alvo de parceria entre o IPT e a empresa Cecil

Wikimedia Commons

Fonte

IPT | Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo

Data

segunda-feira, 27 julho 2020 17:05

Áreas

Nanotecnologia.

Há cerca de um ano e meio a empresa Cecil Laminação de Metais contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para desenvolver nanopartículas de cobre, com foco em aplicações hospitalares e veterinárias. Bem-sucedido, este primeiro projeto de pesquisa e desenvolvimento estabeleceu a base tecnológica para um salto rumo à inovação: o objetivo de um novo projeto em andamento no Núcleo de Bionanomanufatura do IPT é desenvolver novas aplicações, de uso geral, incorporando as nanopartículas de cobre a tintas, tecidos diversos e álcool em gel, por exemplo, e agregar a eles propriedades antimicrobianas.

Segundo Antonietta Cervetto, diretora-presidente da Cecil, empresa com 59 anos de atividade no mercado nacional, o cobre é um metal com ação característica antimicrobiana. O objetivo agora é disponibilizar ao mercado um desinfetante passivo, de alta eficiência e baixo custo. “Superfícies de cobre matam bactérias em apenas 23 minutos e vírus em até quatro horas, além de fungos. O cobre tem a propriedade de romper a membrana do microrganismo para eliminá-lo de vez. Protocolos dos Estados Unidos e Europa mostram que superfícies 100% cobre, ou ligas em que a presença desse metal é de pelo menos 60%, mantêm a propriedade antimicrobiana com a mesma intensidade”, afirmou Antonietta.

O químico Pedro Paulo Noronha, pesquisador visitante e mestrando em Processos Industriais no IPT, e analista de Pesquisa e Inovação na Cecil, explica que as nanopartículas desestruturam proteínas, organelas e material genético dos microrganismos: “A ação biocida das nanopartículas de cobre metálico ocorre no contato com fungos e bactérias, causando a morte principalmente pela quebra da parede celular devido ao chamado estresse oxidativo, proporcionado pela liberação de espécies reativas de oxigênio (ROS, de reactive oxygen species, na sigla em inglês) formadas a partir da oxidação do cobre, com a liberação de elétrons e formação de cargas, desestruturando a membrana lipoproteica”.

O mecanismo de atuação destas nanopartículas sobre os vírus ocorre de maneira semelhante à ação biocida sobre os fungos e bactérias.

Aplicações do Produto

Em tempos de pandemia, nanopartículas de cobre podem permitir a pintura de materiais variados como aço, madeira e plásticos nas superfícies de corrimãos, portas, janelas, batentes, bancos e pias, entre outros. “Poderemos ter ambientes muito mais seguros do ponto de vista do controle das infecções em metrôs, estações ferroviárias e de BRTs, pontos de ônibus e hospitais, neste caso com estabelecimento de um protocolo nacional específico”, explicou Antonietta Cervetto.

O desenvolvimento da nanopartícula de cobre flexibiliza sua aplicação, tornando-a viável não somente em tintas, mas também em uma ampla gama de produtos. “As nanopartículas garantem a presença do elemento cobre nos percentuais adequados a cada caso, seja em tintas, álcool em gel ou tecidos, entre outros itens industrializados. No caso dos acabamentos, pode-se formular tintas nas mais variadas cores, uma vez que as nanopartículas não interferem neste quesito, assim como em tecidos das mais diversas texturas. Para os humanos, torna os ambientes automaticamente mais saudáveis e, no caso de animais, reduz o uso e o custo de antibióticos nas criações”, concluiu Antonietta.

Acesse a notícia completa na página do IPT.

Fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Imagem: Micrografia de força atômica de nanopartículas de cobre. O tamanho médio das partículas é de 80 nm. Ampliação da imagem é equivalente a 80 000 vezes. Fonte: Wikimedia Commons.

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