Notícia

Pacientes com rara capacidade natural de suprimir o HIV dão esperança a potencial cura funcional da doença

Resultados de pesquisa sugerem que os pacientes podem ficar em ‘remissão do HIV’ apesar de terem uma grande reserva de células infectadas

 

Pixabay

Fonte

Universidade Johns Hopkins

Data

quarta-feira, 2 janeiro 2019 09:35

Áreas

Biologia Celular e Molecular. Medicina. Imunologia. Saúde Pública.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, identificaram dois pacientes com HIV cujas células imunológicas se comportam de maneira diferente do que em outras pessoas com o vírus e, na verdade, parecem ajudar a controlar a carga viral, mesmo anos após a infecção.

Além disso, ambos os pacientes carregam grandes quantidades de vírus nas células infectadas, mas não apresentam carga viral nos exames de sangue. Embora baseados em números pequenos, os dados sugerem que a remissão viral a longo prazo pode ser possível para mais pessoas com HIV. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Clinical Investigation Insight.

“Um de nossos pacientes foi infectado há quase 20 anos, passou alguns anos em terapia antirretroviral, parou a terapia e ficou ‘livre de vírus’ por mais de 15 anos”, diz o Dr. Joel N. Blankson, professor de medicina da Universidade Johns Hopkins e um dos autores do estudo. “Nossas descobertas sugerem que o tratamento precoce com a terapia antirretroviral pode redefinir o sistema imunológico do paciente ao ponto em que o vírus possa ser controlado mesmo quando a terapia é descontinuada”, explica o pesquisador, que acrescenta: “Entender como isso ocorre pode levar a uma ‘cura funcional’ para pacientes infectados pelo HIV”.

O HIV infecta as chamadas células T CD4 + do sistema imunológico e usa essas células para se replicar e gerar mais vírus. Durante os estágios iniciais da infecção, outro tipo de célula imune, conhecida como CD8 +, identifica e mata as células T CD4 + infectadas pelo HIV, mas tipicamente o vírus replica tão rapidamente que as células T CD8 + não são capazes de se manter e morrem.

Neste estudo, os pesquisadores têm acompanhado dois pacientes infectados pelo HIV que possuem níveis indetectáveis ​​de HIV em seus testes de rotina. Um dos homens é considerado um supressor de elite, o que significa que ele carrega um marcador genético em suas células imunológicas que permite que seu corpo mantenha os níveis virais naturalmente baixos sem tratamento; o outro paciente é conhecido como controlador de pós-tratamento, que se submeteu à terapia antirretroviral por alguns anos antes de parar há 15 anos e não carrega nenhum marcador genético protetor.

Como parte do acompanhamento dos pacientes ao longo dos anos, o sangue foi coletado para testes de carga viral. A partir dessas amostras de sangue, os pesquisadores separaram as células T CD4 +. Ambos os pacientes tinham um elevado número de células T CD4 + infectadas pelo HIV, apesar de não haver carga viral mensurável no sangue – uma característica incomum para qualquer paciente infectado pelo HIV que é capaz de controlar o vírus.

Tendo coletado amostras desses pacientes ao longo dos anos, os pesquisadores isolaram o vírus e sequenciaram o material genético, descobrindo que o vírus de 2010 e duas amostras coletadas com seis meses de diferença em 2017 eram idênticas. Este resultado foi surpreendente, porque quando o HIV replica, ele tende a se transformar como um processo de evolução natural que permite que as versões mais fortes se propaguem.

“O fato de os vírus serem completamente idênticos sugere que a replicação ocorreu por meio de um processo conhecido como expansão clonal, onde células infectadas em repouso se dividem, levando a cópias exatas de todos os genes virais”, explica o Dr. Blankson.

Depois de estabelecer que esses vírus eram idênticos, os pesquisadores então perguntaram se as células T CD8 + estavam controlando de alguma forma o vírus. A equipe isolou células T CD8 + de cada paciente e as misturou com células T CD4 + infectadas pelo vírus do mesmo paciente; eles também misturaram células T CD8 + de outros pacientes não controladores com células T CD4 + infectadas. Eles descobriram que as células T CD8 + do paciente controlador eram capazes de suprimir o vírus do paciente, mas as células T CD8 + de pacientes não controladores não eram capazes de suprimir o próprio vírus. Isso sugere que o comportamento das células T CD8 + nos pacientes controladores foi a chave para que eles pudessem manter cargas virais indetectáveis ​​por um longo período de tempo, apesar do grande número de células T CD4 + infectadas.

“Acreditamos que esta seja a primeira vez que uma resposta de célula T CD8 + específica ao HIV foi demonstrada em um controlador de pós-tratamento”, diz a Dra. Rebecca T. Veenhuis, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins. “Os resultados sugerem que uma cura funcional pode ocorrer apesar de um grande reservatório viral”.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Johns Hopkins (em inglês).

Fonte: Raigan Wheeler, Universidade Johns Hopkins. Imagem: Pixabay.

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