Destaque

Pesquisa mostra impacto da pandemia nas hospitalizações por doenças cardiovasculares

Fonte

UFMG | Universidade Federal de Minas Gerais

Data

quinta-feira. 25 novembro 2021 07:10

Em artigo recém-publicado, pesquisadores do Observatório de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam efeitos da pandemia da COVID-19 em pessoas admitidas por doenças cardiovasculares (DCVs) em hospitais públicos de Belo Horizonte e concluem que as internações foram 16,3% menores do que o esperado.

Os dados do estudo mostraram que houve 6.517 hospitalizações por doenças cardiovasculares de março a dezembro de 2020 e que o número de cuidados intensivos durante as internações por DCVs reduziu-se 24,1% em relação a períodos anteriores. Além disso, caiu 17,4% o número de mortes e diminuíram as internações e o tempo de internação por DCVs.

A redução desses números pode ser explicada pelo fato de que muitas pessoas deixaram de procurar os hospitais com medo de se infectarem pelo novo coronavírus. Edmar Geraldo Ribeiro, um dos autores do artigo coordenado pelas professoras Dra. Deborah Carvalho Malta, da Escola de Enfermagem, e Dra. Luísa Caldeira Brant, da Faculdade de Medicina da UFMG, explicou que a pesquisa lançou mão de análise de série temporal, utilizando dados administrativos do SIH-Datasus de 2010 a fevereiro de 2020 para chegar à quantidade esperada de internações por DCV por mês durante a pandemia no ano passado.

“Para as doenças cardiovasculares, o estudo comparou o número esperado de internações hospitalares, o uso de terapia intensiva, as mortes durante internação e o tempo médio de permanência com o número observado no período”, explicou Edmar, que é doutorando em Enfermagem da UFMG.

A professora Luisa Caldeira Brant, cardiologista do Hospital das Clínicas da UFMG, destacou que, em relação ao número de hospitalizações por DCVs, um declínio significativo foi observado em todos os subgrupos, exceto para homens com menos de 60 anos de idade. “Em relação às internações em terapia intensiva, vale ressaltar que a redução foi significativa para doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e síndromes coronárias agudas apenas para adultos mais velhos”, explicitou.

Principal causa de morte no mundo

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em todo o mundo, respondendo por 17,9 milhões de vidas perdidas a cada ano. Informações do Sistema Único de Saúde (SUS) também mostram que as DCVs são responsáveis por considerável morbidade, altas taxas de hospitalização e custos elevados para o sistema.

Segundo dados do SIH-Datasus, as DCVs que resultaram no maior número de internações no Brasil nos últimos 10 anos foram a insuficiência cardíaca, o acidente vascular encefálico e as síndromes coronárias agudas.

Para diminuir os impactos dessas doenças, destacou a professora Deborah Malta, é fundamental que campanhas públicas informem como as pessoas devem proceder. “A atenção imediata e urgente é essencial para diminuir os efeitos indiretos da pandemia sobre essas doenças. É necessário o esclarecimento sobre novos fluxos de saúde e a retomada de medidas de promoção da saúde e de controle dos fatores de risco cardiovascular”, concluiu a pesquisadora.

Acesse a notícia completa na página da UFMG.

Fonte: UFMG e Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG.

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