Notícia

Pesquisa detalha os impactos da COVID-19 para diabéticos do Brasil

Com a pandemia, 95% dos participantes relataram ficar mais tempo em casa, mas a maioria reduziu a prática de exercícios físicos

Getty Images

Fonte

Jornal da USP

Data

sábado, 18 julho 2020 20:20

Áreas

Medicina. Modelagem Matemática. Saúde Pública.

Uma pesquisa inédita, realizada com 1.700 brasileiros, mostrou quais são os impactos da COVID-19 em pessoas com diabetes. Os resultados foram publicados na revista científica Diabetes Research and Clinical Practice.

Conduzido por um grupo de instituições nacionais e internacionais, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), o estudo revelou que os portadores da doença alteraram seus hábitos durante a quarentena, o que causou uma piora nos níveis glicêmicos. Se infectadas, essas pessoas podem desenvolver formas mais graves de COVID-19.

Outro dado preocupante é que parte dos pacientes relatou dificuldades em receber os insumos necessários para controlar o metabolismo. Do total de 64% dos pacientes que obtêm os produtos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas 21% deles receberam os medicamentos para 90 dias, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

O questionário, composto por 20 questões de múltipla escolha, foi enviado por meio das redes sociais de associações e grupos de diabetes. De todos os participantes, 75% eram mulheres, 78% tinham entre 18 e 50 anos e 65% moravam na região Sudeste. A maioria (60%) era portadora de diabetes tipo 1 e 31% do tipo 2. Além disso, 39% tinham acesso ao serviço privado de saúde e 33% deles utilizavam tanto o sistema público quanto o privado.

Os dados foram coletados entre 22 de abril e 4 de maio de 2020.

Ferramenta matemática

Com todas as respostas em mãos, coube à Dra. Viviana Giampaoli, professora do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, construir um mapa de relações para estabelecer as associações entre idade, ocorrência dos sintomas da COVID-19, tipos de diabetes e a evolução de algumas comorbidades, por exemplo. “Vimos que as pessoas com diabetes do tipo 2 controlam menos a glicemia e apresentaram maior frequência de outras doenças e complicadores, como problemas de saúde mental”, explicou a Dra. Viviana. “Vários pacientes com diabetes tipo 1 apresentaram sintomas de COVID-19 e não foram testados, mesmo convivendo com familiares infectados.”

Nos cuidados de rotina, é importante manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios, já que essas atividades ajudam a manter a glicemia em níveis seguros. A maioria dos respondentes (95%) passou a ficar mais tempo em casa e diminuiu a atividade física. “Quase 60% das pessoas reportaram redução nos exercícios”, relatou o Dr. Mark Thomaz Ugliara Barone, vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes e primeiro autor do estudo. Dos 1.701 entrevistados, 38,4% adiaram suas consultas médicas e a realização de exames. Quase 49% deles aumentaram o tempo em frente à TV e 53% acessaram mais a internet.

Dos 91% que monitoram a glicemia, a maioria (59%) percebeu alterações como aumento (20%), diminuição (8,2%) ou maior variabilidade (31%) nos níveis de glicose. . “Obviamente que esses fatores vão ter um impacto importante sobre os autocuidados, por isso a população precisa ter um acesso otimizado ao serviço de saúde”, relatou o Dr. Mark Barone. “No questionário, havia um campo de observação onde os pacientes escreveram relatos desesperados sobre a dificuldade de entrar em contato com os médicos pessoais”, enfatizou o pesquisador.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Fabiana Mariz, Jornal da USP. Imagem: Getty Images.

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