Notícia

Superidosos do Brasil: com boa memória e sem depressão, eles têm alto desempenho cognitivo

Pela primeira vez, pesquisa identifica idosos com alto desempenho cognitivo entre pessoas de baixa renda e pouca escolaridade

Carol Morena, UFMG

Fonte

Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

Data

sábado, 2 novembro 2019 14:25

Áreas

Medicina. Geriatria. Neurologia. Saúde do Idoso.

Pessoas acima de 75 anos de idade com desempenho da memória equiparável ao de homens e mulheres 20 anos mais novos são os chamados superidosos. O fenômeno, que vem sendo estudado há algum tempo em países ricos, agora também é objeto de pesquisas em países em desenvolvimento, em grupos de pessoas de baixa renda e com pouca escolaridade. Em seu trabalho de mestrado, no Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Karoline Carvalho Carmona alcançou resultados que indicam associação das características que definem os superidosos com menor frequência de sintomas depressivos.

Karoline analisou os dados do Pietà, projeto de investigação epidemiológica realizado com população de 75 anos de idade ou mais, em Caeté (MG), conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina. Ela relata que esses idosos se destacam não apenas pela boa saúde cognitiva, mas por terem características únicas. “Eles têm desempenho melhor em testes de memória em comparação ao de pessoas da mesma faixa etária, e sua capacidade equipara-se à de indivíduos 15 a 20 anos mais jovens – em alguns casos, ainda mais novos”, enfatiza.

O neurologista Dr. Paulo Caramelli, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade e orientador do estudo, atribui esses resultados a características cerebrais exclusivas. As pesquisas demonstram diferenças neurobiológicas no cérebro dos indivíduos com envelhecimento bem-sucedido. “Nessas pessoas existem regiões cerebrais específicas de maior espessura, assim como maior quantidade de um determinado subtipo de neurônios nessas áreas”, explica.

Influência genética

Para Karoline Carmona, também neurologista, o estudo é ainda mais relevante porque foi feito no Brasil, país em que a situação educacional é distinta das outras nações em que foram desenvolvidas pesquisas do gênero, e porque possibilita incluir dados sobre o país na literatura internacional especializada no tema.

A pesquisadora diz que a maioria dos estudos sobre esse grupo de pessoas ocorre em países ricos, em que os participantes estudaram durante 15 a 17 anos. No estudo feito na Faculdade de Medicina, foram identificados superidosos com menos de três anos de frequência escolar.  “A média de escolaridade das pessoas pesquisadas por nós é de 2,7 anos, e havia também analfabetos”, informa Karoline.

De acordo com a neurologista, são necessários novos estudos que sigam essa linha de raciocínio para confirmar ou não a influência da genética. Além disso, sua pesquisa identificou que os superidosos apresentam frequência menor de sintomas depressivos, principalmente medo, sensação de inferioridade, de vida vazia e abandono de interesses. Essa também é uma novidade que deve ser considerada para estudos futuros, segundo Karoline, já que “não há muitas pesquisas mostrando associação entre a ausência dos sintomas depressivos com o envelhecimento cerebral bem-sucedido”.

Ela conta que os trabalhos, geralmente, demonstram a associação de sintomas depressivos com piora cognitiva em pessoas mais velhas. Cerca de 50% dos idosos com transtorno depressivo apresentam, por exemplo, pequena capacidade de planejamento e execução.

Acesse a notícia completa na página da Faculdade de Medicina da UFMG.

Fonte: Laryssa Campos e Deborah Castro, UFMG. Imagem: Carol Morena, UFMG.

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