Notícia

Resultado de pesquisa leva a melhora significativa da qualidade de vida de pacientes com lesão na medula espinhal

Pesquisadores canadenses e suíços esperam que os resultados levem a ensaios clínicos internacionais

Divulgação, Universidade de Calgary

Fonte

Universidade de Calgary

Data

sábado, 30 janeiro 2021 16:15

Áreas

Biomecânica e Reabilitação. Medicina. Neurociências.

No Canadá, o médico Dr. Richi Gill está de volta ao trabalho e pode desfrutar de um tempo com sua família à noite e ter uma boa noite de sono, graças aos resultados de uma pesquisa internacional. Três anos atrás, o Dr. Gill sofreu uma lesão no pescoço em um acidente de bodyboard durante as férias com sua família. Obter mobilidade novamente com o uso de uma cadeira de rodas é o primeiro desejo, disse o Dr. Richi Gill. No entanto, para aqueles com lesão medular, o que está acontece dentro do corpo também afeta severamente sua qualidade de vida.

“O que muitas pessoas não percebem é que uma lesão na medula espinhal impede que alguns sistemas dentro do corpo se regulem automaticamente. Minha pressão arterial cairia drasticamente, deixando-me cansado, tonto e incapaz de me concentrar. A condição pode ser fatal, exigindo medicação contínua”, disse o médico.

O Dr. Aaron Phillips, da Escola de Medicina da Universidade de Calgary, no Canadá, e o Dr. Grégoire Courtine, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça,  co-lideraram um estudo internacional que mostrou que os estimuladores da medula espinhal podem fazer a ponte com o sistema de regulação autônomo do corpo, controlando a pressão arterial sem medicação. Os resultados foram publicados na revista científica Nature.

Para as pessoas com lesão medular, a descoberta é uma mudança de vida. “A medula espinhal atua como uma linha de comunicação que permite ao cérebro enviar sinais para dizer ao corpo como e quando se mover, bem como controlar as funções vitais, incluindo a pressão arterial”, disse o Dr. Aaron Phillips. “Esta linha de comunicação é quebrada após uma lesão na medula espinhal. Então, criamos a primeira plataforma para entender os mecanismos subjacentes à instabilidade da pressão arterial após lesão da medula espinhal, o que nos permitiu desenvolver uma nova solução de ponta”, destacou o cientista.

O Dr. Gill é o primeiro participante do estudo em uma série de ensaios clínicos planejados no Canadá e na Suíça. “Vamos colaborar com uma empresa chamada Onward para desenvolver um sistema de neuroestimulação dedicado ao controle da pressão arterial em pessoas com lesão medular”, disse o Dr. Grégoire Courtine, professor da EPFL.

No estudo, a estimulação elétrica epidural direcionada (EES) da medula espinhal foi usada para estabilizar a hemodinâmica (fluxo sanguíneo por todo o corpo), permitindo que os órgãos vitais mantivessem um suprimento adequado de sangue. Os pesquisadores descobriram a localização exata do estimulador na coluna e os circuitos do sistema nervoso simpático subjacentes ao controle da pressão arterial. Esse novo conhecimento permitiu o desenvolvimento de um sistema de comunicação neuroprotético em malha fechada, para substituir o controle hemodinâmico perdido.

“Estamos realmente entusiasmados com o fato de as pessoas com lesão da medula espinhal sejam capazes de interromper a medicação para pressão arterial e voltar a desfrutar de uma rotina diária completa com melhor fluxo sanguíneo para o cérebro e órgãos”, disse o Dr. Sean Dukelow,  cientista da Escola de Medicina da Universidade de Calgary e um dos autores do estudo. “As pessoas se sentem mais alertas, conseguem ficar em pé em suas cadeiras de rodas sem perder a consciência e, e, longo prazo, acreditamos que isso reduzirá o risco de doenças cardíacas e derrames.”

“É emocionante ver a ciência ajudando a melhorar a vida. Estou animado que Calgary será um dos locais para um ensaio clínico. A pesquisa teve um efeito positivo na minha vida e estou feliz que outros se beneficiem também”, destacou o Dr. Richi Gill. que continua trabalhando na Clínica de Cirurgia Bariátrica de Adultos de Calgary e agora é diretor do Centro de Obesidade de Alberta, no Canadá.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Calgary (em inglês).

Fonte: Kelly Johnston, Escola de Medicina da Universidade de Calgary. Imagem: Divulgação, Universidade de Calgary.

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