Notícia

Pesquisadores desenvolvem projeto inovador para auxiliar no combate à leishmaniose visceral na região Norte de Tocantins

Mais de 400 armadilhas para a captura do mosquito palha serão instaladas em residências de Araguaína para identificação da presença de vetores e análise da taxa de infecção pelo agente causador do calazar

Geórgya Laranjeira Corrêa, Governo do Tocantins

Fonte

FAPT | Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins

Data

terça-feira, 21 setembro 2021 06:25

Áreas

Saúde Pública.

A leishmaniose visceral – ou calazar – é alvo de estudo científico em áreas estratégicas da região urbana do município de Araguaína, no Tocantins. O objetivo é instalar, até o final de 2021, mais de 400 armadilhas para capturar o mosquito palha com a finalidade de fazer uma análise laboratorial para identificação dos vetores e avaliação de fatores relacionados à transmissão da doença visando construir evidências que possuem aplicabilidade na construção de políticas públicas de combate, prevenção, e conscientização da comunidade.

A pesquisa contribuirá com o reconhecimento do período do ano onde a população do mosquito palha na cidade é maior e avalia o risco de transmissão da leishmaniose visceral entre humanos e animais. O estudo faz parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), e conta com apoio financeiro do Governo Federal e do Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT).

O projeto é fruto da parceria da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia (EMVZ) da Universidade Federal do Tocantins (UFT) com a Secretaria Municipal de Saúde de Araguaína por meio do Centro de Zoonoses (CCZ) e dos governos. O estudo é desenvolvido por pesquisadores, e conta com a participação de alunos de mestrado e de iniciação científica da universidade. Conta ainda com o apoio de técnicos e pesquisadores do Centro de Controle de Zoonoses de Araguaína e com agentes de endemias que têm o papel de colaborar com a instalação e retirada das armadilhas e identificação dos vetores.

“Fazer parte da pesquisa do PPSUS é uma oportunidade de crescimento acadêmico e um privilégio. Me proporciona a vivência na pesquisa científica, o aprendizado de novas técnicas e ainda aprimora os conhecimentos da graduação”, afirmou Rita de Cássia Chaves, graduanda de Medicina Veterinária da EMVZ da UFT Araguaína.

Com duração de 12 meses, a execução do projeto está sendo feita nas residências selecionadas onde foram instaladas as armadilhas luminosas tanto na área interna como externa para captura de insetos que serão analisados pelo Laboratório de Entomologia do município e Laboratório de Parasitologia da universidade. Até o momento, mais de 300 armadilhas já foram instaladas e cerca de 3000 flebotomíneos capturados em áreas com maior número de casos de transmissão da leishmaniose visceral em humanos.

“O estudo só está sendo feito devido apoio financeiro dos Governos federal por meio do PPSUS e Governo do Tocantins através da FAPT, que possibilitou o financiamento do material utilizado no laboratório como das armadilhas e insumos para realização do estudo. Sem esse apoio, não seria possível o desenvolvimento da pesquisa”, afirmou a Dra. Helcileia Dias Santos, coordenadora do projeto e professora de Ciência Veterinária da UFT de Araguaína.

Para o presidente da FAPT, Dr. Márcio Silveira“a pesquisa vai trazer soluções para os problemas de saúde através da implementação de políticas públicas no município de Araguaína no que diz respeito ao combate ao calazar. Isso demonstra a importância da parceria entre os governos federal, estadual e municipal em prol de ações que beneficiem a sociedade. Mas sabemos que a colaboração da comunidade é essencial nesse processo”, afirmou o gestor.

Leishmaniose

A leishmaniose visceral é transmitida pela fêmea do mosquito palha, que pica o animal infectado e depois pica o ser humano. As pessoas infectadas apresentam febre, emagrecimento, anemia e também podem ter órgãos internos afetados, como o fígado e o baço. É uma doença grave, que, sem o tratamento adequado, pode levar à morte.

Prevenção

A Dra. Helcileia Santos alerta a sociedade sobre a importância dos cuidados com as residências para evitar a proliferação do mosquito e consequentemente da doença. O inseto transmissor da leishmaniose se multiplica em matérias orgânicas e em criadouros de animais, como porcos e galinhas em área urbana, em lixos e folhas úmidas. Os moradores que possuem cachorro também precisam ficar atentos para prevenir o cão da contaminação, como manter a vacinação em dia e conservar os animais em locais limpos. Caso o animal apresente sintomas como problemas na pele, crescimento das unhas e emagrecimento exagerado, é necessário que o animal seja levado até um veterinário ou no Centro de Controle de Zoonoses para realizar o teste do calazar.

Acesse a notícia na página da FAPT.

Fonte: Geórgya Laranjeira Correa e Stefani Cavalcante/Governo do Tocantins. Imagem: Geórgya Laranjeira Corrêa, Governo do Tocantins.

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