Notícia

Pesquisa desaconselha uso de radiografia para detectar cáries em crianças

O exame clínico ou inspeção visual isolado (VIS) ainda é o mais recomendado para o diagnóstico de cárie em crianças com dentes decíduos (dente de leite)

Pixabay

Fonte

Jornal da USP

Data

sexta-feira, 21 maio 2021 06:15

Áreas

Odontologia. Radiologia. Saúde da Criança.

Pesquisa da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) feita com 252 crianças, entre três e seis anos, mostrou que o exame radiológico não é o melhor método de diagnóstico de cáries em dentes decíduos (dentes de leite), devido à ocorrência de resultados falso-positivos que induziriam cirurgiões-dentistas a realizar intervenções desnecessárias. Segundo o estudo, o exame clínico ou inspeção visual isolada (VIS) ainda é o mais recomendado para essa idade. Além de diminuir a quantidade de procedimentos odontológicos, posterga o tratamento para ocasiões em que a criança esteja mais madura emocionalmente.

Segunda a pesquisa, a cárie infantil em dentes decíduos atinge 500 milhões de crianças no mundo e a prática clínica utilizando radiografia para diagnóstico das lesões ainda é comumente adotada em consultórios odontológicos.

A cirurgiã-dentista Laura Regina Pontes, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, disse ao Jornal da USP que “o método apresenta mais prejuízos do que benefícios”.

Os dentes decíduos surgem por volta dos seis meses de idade e são gradualmente substituídos pelos permanentes quando a criança tem por volta de seis anos de idade. A pesquisadora é a primeira autora do artigo publicado na revista científica BMC Oral Health.

“Algumas imagens radiolúcidas nas radiografias (imagem mais escura) induzem a algumas intervenções desnecessárias porque muitas delas não evoluem antes que aconteça a troca da dentição na criança. São os chamados sobrediagnósticos: o diagnóstico de uma doença que nunca provocará sintomas, que converte as pessoas em pacientes sem necessidade”, afirmou a pesquisadora. A Dra. Laura ressaltou ainda a importância de se considerar aspectos da saúde emocional e de bem-estar da criança. “O adiamento de tratamentos permite que elas tenham mais tempo para o desenvolvimento de suas emoções para lidar melhor com tratamentos odontológicos”, disse a cirurgiã-dentista.

As crianças que participaram da pesquisa chegaram por demanda espontânea trazidas por seus pais ou responsáveis para serem atendidas nos serviços odontológicos ofertados gratuitamente à comunidade pela Faculdade de Odontologia, para desenvolvimento de suas atividades práticas e acadêmicas. Elas foram divididas em dois grupos e acompanhadas em seus tratamentos por dois anos, para que as duas estratégias de diagnósticos fossem avaliadas: diagnóstico feito apenas por exame clínico ou diagnóstico associado a radiografias.

Resultados

Das 252 crianças, 216 permaneceram no tratamento e foram acompanhadas por todo o período proposto pela pesquisa (dois anos). A cada seis meses, elas eram convocadas para retorno aos consultórios para avaliação das restaurações, instruções sobre higiene oral, escovação supervisionada e dieta. Após 12 e 24 meses, os exames clínicos eram refeitos para avaliar as restaurações.

De forma em geral, as crianças que foram submetidas aos exames clínicos e radiográficos para detecção de cárie e determinação de tratamento tiveram 30% a mais de intervenções do que aquelas que foram submetidas apenas ao exame clínico visual.

Foi possível observar também que as crianças do grupo que foram submetidas aos exames radiográficos tiveram mais substituições de restaurações e mais restaurações realizadas desde o início do estudo, em comparação com o grupo que fez o tratamento baseado apenas no exame clínico visual. Quanto aos resultados falso-positivos, o grupo de radiografias também teve um número maior pontuado na pesquisa, em  dez vezes mais casos.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Ivanir Ferreira, Jornal da USP. Imagem: Pixabay.

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