Notícia

Mesmo a mínima atividade física melhora a saúde

Dois novos estudos da Universidade da Califórnia em San Diego descobriram que simplesmente ficar em pé ou caminhar pode trazer benefícios positivos para a saúde

Jenn Simpson via Unsplash

Fonte

Universidade da Califórnia em San Diego

Data

sexta-feira, 16 outubro 2020 16:55

Áreas

Biomecânica. Educação Física. Medicina. Saúde do Idoso. Saúde Pública.

Mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo morrem por ano de causas associadas à falta de atividade física. Duas equipes de pesquisa da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos,  procuraram entender os estilos de vida sedentários: em um estudo, descobriram que mesmo uma atividade física leve, incluindo apenas ficar em pé, pode beneficiar a saúde; em outro estudo, concluíram que os americanos  estão ficando muito tempo sentados.

Levante-se, sua vida pode depender disso

Está bem documentado que o exercício e outras atividades físicas, em intensidades de moderadas a vigorosas, reduzem o risco de muitas doenças crônicas relacionadas à idade, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, vários cânceres, doença de Alzheimer e demência. No entanto, em estudo publicado no último dia 12 de outubro de 2020 na revista científica Journals of Gerontology: Medical Sciences, os pesquisadores descobriram que apenas ficar em pé já poderia diminuir o risco de mortalidade.

Liderada pela Dra. Andrea LaCroix, chefe de epidemiologia da Escola de Medicina da UCSD, a equipe de pesquisa observou os níveis de atividade de quase 6.000 mulheres americanas, com idades entre 63 e 97 anos, em parceria com a Women’s Health Initiative. As participantes usaram um acelerômetro por sete dias para obter medidas precisas de quanto tempo passaram sentadas, paradas ou em movimento.

As participantes que passaram mais tempo em pé tiveram um risco 37% menor de morte quando comparados ao grupo que não se levantou com tanta frequência. Enquanto o grupo com melhores resultados ficou em pé quase 90 minutos por dia, um menor risco de morte foi observado em participantes que ficaram em pé mesmo apenas 30 minutos por dia. Os efeitos positivos de ficar em pé foram ainda mais fortes quando as participantes estavam em pé e se movendo ao mesmo tempo.

“Evitar o tempo sedentário prolongado e se envolver em atividades físicas regulares são estratégias-chave para as pessoas melhorarem suas perspectivas de envelhecimento saudável. Especificamente as atividades físicas de baixa intensidade, como ficar em pé, são importantes pela sua viabilidade e segurança. Durante nossa pesquisa, descobrimos que simplesmente passar mais tempo em pé pode ter benefícios importantes para a saúde, como uma redução do risco de mortalidade”, destacou Purva Jain, doutoranda e pesquisadora.

Adultos nos Estados Unidos com 65 anos ou mais lutam para cumprir as diretrizes de atividade física, que geralmente sugerem 150 minutos de atividade por semana. De acordo com os pesquisadores, muitos americanos passam até 11 horas por dia sentados. As mulheres correm especificamente um risco maior de ter ou desenvolver problemas de saúde associados à inatividade.

“Ficar em pé é uma abordagem viável para interromper longos períodos de tempo sentado que ocorre ao longo do dia”, disse o Dr. John Bellettiere, professor de epidemiologia da UCSD. “Achamos isso mais benéfico para adultos mais velhos que podem não ser capazes de participar de atividades moderadas a vigorosas, mas ainda podem seguir um estilo de vida saudável de envelhecimento com segurança apenas substituindo o sentar por ficar em pé”.

“Este é o primeiro estudo desse tipo em que fomos capazes de decifrar entre os benefícios de ficar em pé versus ficar pé e se movimentando. Ao fazer isso, fomos capazes de fornecer evidências rigorosas de que até ficar [em pé] parado resulta em benefícios positivos para a saúde”, disse a Dra. Andrea LaCroix,

Tecnologia moderna e uma vida sedentária

Em outro estudo, publicado no último dia 12 de outubro de 2020 na revista científica BMJ Open Sport & Exercise Medicine, os pesquisadores da Escola de Medicina da UCSD usaram dados de atividade física coletados como parte de uma pesquisa com fazendeiros na área rural do Malawi, cujas vidas são minimamente afetadas pela tecnologia, e compararam com o estilo de vida dos americanos.

Com essa comparação, a equipe procurou investigar o impacto potencial dos estilos de vida dominados pela tecnologia no tempo sedentário e na atividade física.

Suas descobertas mostraram níveis substancialmente mais altos de atividade entre a população do Malawi em relação aos participantes nos Estados Unidos. Especificamente, os americanos gastam quase duas horas a mais de tempo sedentário por dia em comparação com os participantes do Malawi.

“Ser capaz de comparar nossos níveis de atividade atuais nos Estados Unidos com o estilo de vida dos agricultores no Malawi realmente coloca um ponto de exclamação sobre o quão inativos somos. Nós evoluímos para sermos seres ativos e deixamos isso para trás pelo luxo de certos avanços modernos”, disse o Dr. Michael Pratt, diretor do Instituto de Saúde Pública da UCSD.

O estudo foi realizado no Malawi, um país do sudeste da África, onde agricultores dos distritos de Zomba e Ntcheu foram recrutados. Quase todos os agricultores da amostra não tinham eletricidade em casa e não possuíam veículos motorizados. Por outro lado, computadores, telefones celulares, TVs e carros dominam o dia a dia de muitos americanos, resultando em maior tempo sedentário e menos necessidade de atividade física.

Os agricultores do Malawi atenderam às diretrizes atuais de atividade física 94% das vezes, em comparação com apenas 55% da amostra dos Estados Unidos. No entanto, os resultados podem ter um significado diferente no Malawi, onde o trabalho árduo na agricultura predominantemente de subsistência e agricultura familiar não mecanizada é essencial para a segurança alimentar familiar.

“Este estudo aponta para o profundo impacto dos estilos de vida orientados para a tecnologia que estão se tornando cada vez mais dominantes em todo o mundo. Como humanos, fomos projetados para ser ativos e agora sabemos o quanto nossa saúde depende disso. Para as pessoas da maioria dos países de alta renda, precisamos dar maior prioridade aos esforços para ajudá-las a se levantarem de suas cadeiras e se movimentarem mais ao longo do dia”, concluiu o ”, disse o Dr. James Sallis, professor de Medicina Familiar e Saúde Pública na Escola de Medicina da UCSD.

Acesse o resumo do artigo científico publicado na revista Journals of Gerontology: Medical Sciences (em inglês).

Acesse o artigo científico completo publicado na revista BMJ Open Sport & Exercise Medicine (em inglês).

Acesse a notícia completa publicada na página da UCSD (em inglês).

Fonte: Jeanna Vazquez, Universidade da Califórnia em San Diego. Imagem: Jenn Simpson via Unsplash.

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