Notícia

Estudo revela como melhorar qualidade de vida de mães e pais de bebês muito prematuros

Licença específica para mães e pais de crianças muito pré-termo seria muito importante

CDC.org

Fonte

Universidade do Porto

Data

quarta-feira, 9 janeiro 2019 10:20

Áreas

Medicina. Saúde Pública. Psicologia. Saúde da Família.

Apostar no desenvolvimento de políticas de saúde intersetoriais, integradas e centradas na família, é crucial para melhorar a qualidade de vida de mães e pais de crianças muito pré-termo (ou muito prematuros, que nascem com menos de 32 semanas de gestação). Algumas dessas políticas poderiam passar pela reformulação da licença parental (no Brasil, das licenças maternidade e paternidade) e pelo desenho de intervenções focadas em diminuir os efeitos negativos da necessidade de constante vigilância e higienização que estes bebês muitas vezes exigem. As conclusões constam de um estudo da Unidade de Pesquisa em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), em Portugal, que avaliou a qualidade de vida de mães e pais de crianças muito pré-termo, quatro meses depois do parto. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Health and Quality of Life Outcomes.

A literatura mostra que a qualidade de vida de pais de bebês muito pré-termo pode estar comprometida devido a distúrbios do sono, fadiga, stress e sintomas psicopatológicos. Importa compreender o modo como os pais e as mães destas crianças avaliam os fatores que influenciam a sua qualidade de vida para se delinearem políticas e serviços de saúde mais centrados nas famílias no contexto da prematuridade.

No estudo em questão, avaliou-se “a qualidade de vida de pais de crianças muito pré-termo, quatro meses depois do parto. É uma ocasião em que a maioria dos bebés já teve alta da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) e estão em casa. Além disso, os quatro meses correspondem, na lei portuguesa, ao período normal da licença parental, e portanto muitas mães já estão se preparando para regressar ao trabalho. Por isso, consideramos que este era um período importante para a avaliação da qualidade de vida destes pais“, explica Dra. Mariana Amorim, primeira autora do estudo, que foi coordenado pela pesquisadora do ISPUP, Dra. Susana Silva.

Os autores utilizaram um questionário da Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a qualidade de vida dos pais, que contempla parâmetros como a saúde física, o estado psicológico, as relações sociais e a relação com o meio ambiente. Participaram nesta avaliação quantitativa 67 mães e 64 pais. Foram também realizadas entrevistas qualitativas semiestruturadas junto a 26 casais. Os participantes foram sistematicamente recrutados durante o internamento dos bebês, em todas as 7 Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais da Zona Norte de Portugal, entre Julho de 2013 e Junho de 2014.

Concluiu-se que mães e pais avaliam a sua qualidade de vida de forma semelhante, a qual é negativamente afetada pelostress parental, pela ansiedade e pela depressão. A qualidade de vida das mães parece ser negativamente influenciada por uma posição socioeconômica baixa. Nos pais, fatores como o tempo de internamento da criança e a existência de problemas de saúde do bebê também têm um impacto negativo na sua qualidade de vida.

Uma das sugestões do estudo é a criação de uma licença específica para mães e pais de crianças muito pré-termo. O período de internamento do bebê não deveria estar incluído no tempo da licença parental”, diz a Dra. Mariana Amorim. Além disso, seria importante “criar intervenções focadas para corrigir os efeitos negativos que a constante vigilância e higienização têm na qualidade de vida da mãe do pai”.

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos, as crianças que nascem muito prematuramente apresentam um elevado risco de morte e de atrasos no neurodesenvolvimento, e portanto o nascimento prematuro é um importante problema de saúde pública.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse o Manual “Seguimento Ambulatorial do Prematuro de Risco”, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Acesse o Livro “Atenção à Saúde do Recém-Nascido: Guia para os Profissionais de Saúde – Cuidados com o Recém-nascido Pré-Termo”.

Acesse a notícia completa na página da Universidade do Porto.

Fonte: Diana Seabra, ISPUP, Universidade do Porto. Imagem: CDC.org.

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