Notícia

Estudo global aponta subtratamento do diabetes, por medicamentos e por cuidados baseados em evidências, principalmente em países mais pobres

Apenas 1 em cada 10 pessoas com diabetes em países de baixa e média renda está recebendo atendimento abrangente baseado em evidências e de baixo custo

Shutterstock

Fonte

Universidade de Michigan

Data

sábado, 22 maio 2021 10:10

Áreas

Endocrinologia. Medicina. Metabolismo. Saúde Pública.

Quase meio bilhão de pessoas no planeta têm diabetes, mas a maioria delas não está recebendo o tipo de cuidado que poderia tornar suas vidas mais saudáveis, mais longas e mais produtivas, de acordo com um novo estudo global de dados de pessoas com a doença.

De acordo com as novas descobertas publicadas na revista científica Lancet Healthy Longevity, apenas uma em cada 10 pessoas com diabetes nos 55 países de baixa e média renda estudados recebem o tipo de atendimento abrangente que comprovadamente reduz os problemas relacionados ao diabetes. Esse pacote abrangente de cuidados – medicamentos de baixo custo para reduzir o açúcar no sangue, a pressão arterial e os níveis de colesterol; e aconselhamento sobre dieta, exercícios e peso – pode ajudar a reduzir os riscos de diabetes subtratada. Esses riscos incluem futuros ataques cardíacos, derrames, danos aos nervos, cegueira, amputações e outras doenças incapacitantes ou fatais.

O novo estudo, liderado por médicos da Universidade de Michigan e do Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, com uma equipe global de parceiros, baseia-se em dados de estudos domésticos padronizados, para permitir comparações entre países e regiões.

Os autores analisaram dados de pesquisas, exames e testes de mais de 680.000 pessoas com idades entre 25 e 64 anos em todo o mundo realizados nos últimos anos. Mais de 37.000 dessas pessoas têm diabetes; mais da metade dessas pessoas não tinha sido diagnosticada formalmente ainda, mas tinha um biomarcador chave de açúcar no sangue elevado.

Os pesquisadores forneceram suas descobertas para a Organização Mundial da Saúde (OMS), que está desenvolvendo esforços para ampliar a prestação de cuidados com base em evidências para o diabetes em todo o mundo, como parte de uma iniciativa conhecida como OMS Global Diabetes Compact. As formas de tratamento relacionadas ao diabetes usadas no estudo estão todas incluídas no Pacote de Intervenções Essenciais de Doenças Não Transmissíveis da OMS 2020.

“O diabetes continua a explodir em todos os lugares, em todos os países, e 80% das pessoas com ele vivem nesses países de baixa e média renda”, disse David Flood, autor principal e um pesquisador no Instituto de Saúde e Política de Inovação da Universidade do Michigan. “Isso confere um alto risco de complicações como ataques cardíacos, cegueira e derrames. Podemos prevenir essas complicações com um tratamento abrangente para diabetes e precisamos garantir que as pessoas em todo o mundo tenham acesso ao tratamento”.

David Flood trabalhou com a autora sênior Dra. Jennifer Manne-Goehler, do Brigham and Women’s Hospital e do Massachusetts General Hospital, para liderar a análise de dados globais detalhados.

Principais descobertas

Além da descoberta principal de que 90% das pessoas com diabetes estudadas não estavam tendo acesso a todos os seis componentes do tratamento eficaz do diabetes, o estudo também encontrou lacunas importantes nos cuidados específicos. Por exemplo, enquanto cerca de metade de todas as pessoas com diabetes estavam tomando medicamentos para baixar o açúcar no sangue e 41% estavam tomando medicamentos para baixar a pressão arterial, apenas 6,3% estavam recebendo medicamentos para baixar o colesterol.

Essas descobertas mostram a necessidade de ampliar o tratamento comprovado não apenas para reduzir a glicose, mas também para abordar os fatores de risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão e colesterol alto, em pessoas com diabetes.

Menos de um terço teve acesso a aconselhamento sobre dieta e exercícios, o que pode ajudar a orientar as pessoas com diabetes a adotar hábitos que possam controlar ainda mais seus riscos à saúde.

Mesmo quando os autores se concentraram em pessoas que já haviam recebido um diagnóstico formal de diabetes, eles descobriram que 85% estavam tomando um medicamento para baixar o açúcar no sangue, 57% estavam tomando medicamentos para pressão arterial, mas apenas 9% estavam tomando algo para controlar seus colesterol. Quase 74% receberam aconselhamento relacionado à dieta, e pouco menos de 66% receberam aconselhamento sobre exercícios e peso.

Em conjunto, menos de uma em cada cinco pessoas com diabetes previamente diagnosticada estavam recebendo o pacote completo de cuidados baseados em evidências.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Michigan (em inglês).

Fonte: Kara Gavin, Universidade de Michigan. Imagem: Shutterstock.

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