Notícia

Estudo da Unifesp e UFRJ identifica vírus da COVID-19 na retina

Achado inédito sobre partícula viral da infecção na retina pode ser útil sobre a presença do vírus em outras partes do organismo, causando doenças

Mark Arron Smith via Pexels

Fonte

Unifesp | Universidade Federal de São Paulo

Data

sábado, 31 julho 2021 07:10

Áreas

Medicina. Oftalmologia. Saúde Pública.

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiu identificar a presença de partículas do Sars-CoV-2, o vírus da COVID-19, na retina de pacientes acometidos pelo novo coronavírus. Para o Dr. Rubens Belfort Jr., professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (EPM/Unifesp) e coordenador da pesquisa, conjuntamente com o Dr. Wanderley da Silva, da UFRJ, “a descoberta revela um biomarcador importante talvez relacionado à presença do vírus em outras partes do organismo e causador de outras doenças provocadas pelo coronavírus”. O estudo foi publicado na revista científica JAMA Ophthalmology.

Para fazer essa identificação, em junho e julho de 2020, os pesquisadores realizaram enucleação post mortem de olhos, usando tecnologia de transplantes de córnea, e relacionaram os achados clínicos com os obtidos por imunofluorescência, imuno histoquímica e processamentos de microscopia eletrônica de transmissão na retina de pacientes que estavam internados em hospital e que faleceram em decorrência da gravidade da COVID-19.

“As proteínas do vírus foram observadas nas células endoteliais, próximo à chama capilar e às células das camadas nucleares interna e externa da retina. Na região perinuclear dessas células, foi possível observar por microscopia eletrônica de transmissão, vacúolos de membrana dupla consistentes com o vírus”, explicou o Dr. Rubens Belfort Jr., que também é presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM).

Para os pesquisadores, a presença dessas partículas virais não só reforça possíveis manifestações clínicas oculares da infecção, como acende um importante sinal de alerta para a possibilidade de o vírus estar diretamente relacionados a diferentes formas da doença, inclusive neurológicas, pelas semelhanças com a retina, além da possibilidade de se constituírem santuários de persistência viral.

“Agora está claro que, após a infecção inicial no sistema respiratório, o vírus pode se espalhar por todo o corpo, atingindo diferentes tecidos e órgãos. Assim, as descobertas podem ajudar a elucidar a fisiopatologia do vírus e seus mecanismos etiológicos, o que pode permitir melhor entendimento das sequelas da doença e pode direcionar alguns caminhos de pesquisas futuras”, concluíram os pesquisadores.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Unifesp.

Fonte: Unifesp. Imagem: Mark Arron Smith via Pexels.

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