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Estudo compara alternativas de colchões para reduzir as úlceras por pressão

Colchões de ar de alta tecnologia e alto custo foram comparados com colchões de espuma especializados em estudo no Reino Unido

Divulgação

Fonte

Universidade de Leeds

Data

quinta-feira, 5 setembro 2019 09:55

Áreas

Biomecânica. Enfermagem. Clínica Médica. Gestão Hospitalar.

Conhecidos como colchões de pressão alternada, os dispositivos de alta tecnologia contêm bolsas de ar que inflam e desinflam para alterar constantemente os pontos de pressão na pele. Eles custam, no Reino Unido, o equivalente a pelo menos R$ 5 mil. Em comparação, um colchão de espuma especializado custa cerca de R$ 1 mil e é composto de espuma de poliuretano e espuma viscoelástica de alta qualidade, projetada para reduzir a pressão sobre a pele.

Os colchões especializados em espuma são amplamente utilizados, enquanto os colchões de ar de alta tecnologia são encontrados em aproximadamente 10% dos leitos hospitalares no Reino Unido e oferecidos a pacientes considerados com alto risco de úlcera por pressão – mesmo que não exista nenhuma avaliação independente de sua eficácia. O regulador de saúde do governo do Reino Unido, o Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), pediu um estudo científico para investigar os benefícios dos colchões de alta tecnologia.

Esse estudo, randomizado e controlado, foi liderado por enfermeiras pesquisadoras da Universidade de Leeds e publicado no último dia 3 de setembro na revista científica EClinicalMedicine (publicada pela The Lancet).

Benefício clínico

A pesquisa mostrou que os ganhos com o uso de colchões de ar de alta tecnologia foram marginais. O artigo conclui que, para cada 50 pacientes alocados em um dos colchões de ar de alta tecnologia, apenas um se beneficiaria.

Os resultados mostraram que 6,9% dos pacientes nos colchões de ar de alta tecnologia desenvolveram uma úlcera de pressão grau 2 (ou seja, bolhas ou ruptura na pele) ou pior em comparação com 8,9% no colchão de espuma especializado. As úlceras são classificadas em uma escala de um a quatro, sendo quatro as mais graves.

O tempo médio que as úlceras levaram para se desenvolverem em pacientes em um colchão de ar de alta tecnologia foi de 18 dias, comparado a 12 dias para aqueles que estavam no colchão de espuma especializado.O artigo também observou que o número total de pacientes que desenvolveram úlceras de pressão durante o estudo foi menor que o esperado: o resultado, acreditam os pesquisadores, foi influenciado por mudanças na prática de enfermagem projetadas para reduzir a carga de úlceras de pressão.

Este é o primeiro estudo em larga escala do mundo sobre a eficácia de colchões de ar de alta tecnologia e de espuma para evitar feridas por pressão e envolveu mais de 2.000 pacientes com alto risco de desenvolver úlceras por pressão em unidades hospitalares e comunitárias do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, da sigla em inglês). Em 2018, o NHS Improvement descreveu as úlceras por pressão como um “dano preocupante e evitável”, com o tratamento desta condição envolvendo custos de mais de 3,8 milhões de libras esterlinas todos os dias. As úlceras por pressão são uma das principais complicações enfrentadas por pessoas acamadas ou imóveis. A pressão que se acumula nos tecidos moles causa distorção nos tecidos e / ou interrupção no suprimento sanguíneo – e isso mata ou danifica a pele, causando úlceras dolorosas.

O estudo foi liderado pela professora Dra. Jane Nixon, do Instituto de Pesquisas Clínicas da Universidade de Leeds. “As diretrizes profissionais informam à equipe de saúde que devem usar espuma especializada para todos os pacientes em risco e colchões de ar de alta tecnologia para pacientes com úlcera por pressão existente quando a distribuição adequada da pressão não puder ser alcançada”, destaca a pesquisadora. “Mas, na prática, alguns enfermeiros fornecem a pacientes de alto risco e a pacientes com úlcera por pressão os colchões de ar de alta tecnologia e não houve avaliação da eficácia de um tipo de colchão em relação a outro. Alguns pacientes acham o colchão de ar inquietante. Eles são mantidos acordados pelo barulho da bomba, se sentem inseguros porque o colchão está se movendo ou apenas os consideram desconfortáveis. Os pacientes em reabilitação também reclamam que não podem se movimentar ou sair da cama – e isso exacerba a mobilidade já limitada”, continua a especialista.

Os pacientes que concordaram em participar foram alocados aleatoriamente em um colchão de ar de alta tecnologia ou em espuma especializada por dois meses ou até a alta, o que ocorresse primeiro. Eles foram avaliados por uma enfermeira por um período, até 30 dias após a alta. A maioria dos pacientes era idosa, com mediana de idade de 81 anos, e incluía vários pacientes com idade superior a 100 anos.

A análise sugeriu que os pacientes que mais se beneficiaram dos colchões de ar de alta tecnologia eram os que estavam completamente imóveis, confusos, tinham déficits nutricionais ou pele muito vermelha em uma área de pressão.

Avaliação Financeira

O estudo encontrou uma vantagem econômica em usar os colchões de pressão de ar. Embora tenham um custo maior, os pacientes tiveram, em média, uma estadia um pouco mais curta no hospital, o que reduziu o custo geral do atendimento. São necessárias mais pesquisas para entender completamente a correlação entre o tipo de colchão e o tempo de internação.

Embora reconheçam que houve benefícios em usar os colchões de alta tecnologia com pressão de ar, os pesquisadores disseram que, como os ganhos eram pequenos, os conselhos para os enfermeiros deveriam ser que a maioria dos pacientes pudesse ser tratada com segurança em um colchão de espuma especializado.

“O resultado deste estudo fornece as evidências de que colchões especializados em espuma são adequados para a maioria dos pacientes com alto risco de desenvolver úlceras por pressão. Mas a equipe deve estar livre para exercer a escolha clínica ao fornecer o colchão, com base na preferência do paciente, conforto ou necessidades de reabilitação, além de fatores de risco específicos, como estar completamente imóvel, confuso, com déficits nutricionais ou sinais precoces de danos por pressão”, concluiu a Dra. Jane Nixon.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia na página da Universidade de Leeds (em inglês).

Fonte: Universidade de Leeds. Imagem: Divulgação.

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