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Especialistas defendem que anestesia geral deve estar disponível para pacientes terminais

Anestesia geral é amplamente utilizada para intervenções cirúrgicas e diagnósticas, para garantir que o paciente esteja completamente inconsciente, mas não é geralmente usada para pacientes terminais, aos quais medicamentos analgésicos são mais comumente administrados

Luis Galvez via Unsplash

Fonte

Universidade de Oxford

Data

terça-feira, 27 abril 2021 06:15

Áreas

Bioética. Medicina. Medicina Intensiva.

A anestesia geral deveria estar amplamente disponível para aplicação em pacientes no final de suas vidas, de acordo com artigo publicado na revista científica Anesthesia por especialistas em ética e anestesia da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A anestesia geral é amplamente utilizada para intervenções cirúrgicas e diagnósticas, para garantir que o paciente esteja completamente inconsciente. Mas não é geralmente usada para pacientes terminais, aos quais medicamentos analgésicos são mais comumente administrados. Mas, segundo o artigo, isso pode não ser suficiente, levando ao uso de sedação profunda contínua, também conhecida como sedação paliativa ou terminal.

O Dr. Julian Savulescu, professor de Ética na Universidade de Oxford, afirmou: “Para alguns pacientes, essas intervenções comuns não são suficientes. Outros pacientes podem expressar um desejo claro de estar completamente inconscientes enquanto morrem. Alguns pacientes terminais só querem dormir. Os pacientes têm o direito de ficarem inconscientes quando estiverem morrendo. Temos os meios médicos para fornecer isso e devemos’.

Os autores deixam claro que sua proposta não é sobre morte assistida, atualmente ilegal no Reino Unido. Em vez disso, o foco está em opções para garantir que os pacientes se sintam confortáveis [ou menos desconfortáveis] ​​no final de suas vidas.

O Dr. Jaideep Pandit, professor de anestesia no Hospitals NHS Foundation Trust da Universidade de Oxford e coautor do artigo, afirmou: “O desejo de ficar inconsciente como meio de eliminar a experiência de sofrimento físico ou mental é compreensível. A inconsciência por meio da anestesia geral oferece a maior chance de garantir que o paciente não perceba que está passando por um processo adverso”.

O especialista ainda acrescentou: ‘Embora a anestesia geral no tratamento no fim de vida tenha sido usada e descrita no Reino Unido desde 1995, serão necessárias diretrizes multidisciplinares modernas antes que isso possa ser oferecido de forma mais ampla. Levantar essa questão agora é importante, especialmente em vista das tendências internacionais que mostram o aumento do uso de anestesia geral para pacientes terminais”.

O consentimento informado será, dizem os autores, crucial para ajudar os pacientes a compreender as implicações da anestesia geral para os cuidados de fim de vida e suas outras opções para administrar seus dias finais.

O Dr. Dominic Wilkinson, professor de Oxford e também coautor da publicação, afirmou: ‘É vital que os pacientes sejam informados de todas as opções legais disponíveis para aliviar o sofrimento no final da vida. Isso inclui analgesia, sedação e, potencialmente agora, anestesia. Os riscos e benefícios de cada um devem ser explicados. Os pacientes devem ser livres para escolher a opção, ou combinação de opções, que melhor atenda aos seus valores”.

Em uma pesquisa separada, publicada recentemente, os professores Wilkinson e Savulescu encontraram um alto nível de apoio para o acesso à sedação profunda em pacientes terminais. Cerca de 88% dos entrevistados disseram que gostariam da opção de uma anestesia geral se estivessem morrendo. Cerca de dois terços (64%) disseram que escolheriam pessoalmente receber um anestésico no final da vida.

“O público em geral parece valorizar a opção de sono profundo e alívio completo da dor se estiverem morrendo. Nossa pesquisa anterior indica que o público acredita que os pacientes devem ter essa escolha”, afirmou o  professor Wilkinson .

Os autores rejeitam as preocupações de que o uso de anestesia geral para cuidados no final da vida possa acelerar a morte. Estudos mostram que não há diferença estatisticamente significativa no tempo médio de sobrevida entre pacientes no final da vida que recebem sedação profunda contínua e aqueles que não recebem. Em vários países, a infusão de propofol, usada para anestesia geral, foi continuada por até 14 dias.

“Isso enfatiza o fato de que o objetivo da administração de anestesia não é apressar a morte, mas simplesmente atingir a inconsciência”, explica o Dr. Antony Takla, coautor  e pesquisador de Oxford.

No artigo, os pesquisadores concluem: ‘Descrevemos um papel potencial da anestesia geral nos cuidados de final de vida. Isso está, na realidade, disponível para pacientes do Reino Unido desde a década de 1990, mas não é comumente discutido ou fornecido. Há um forte argumento ético para tornar essa opção mais amplamente disponível. Isso não significa que a prática de cuidados paliativos existente seja deficiente. De fato, podemos ver que a anestesia geral nos cuidados de final de vida é solicitada por, ou adequada para, muito poucos pacientes. No entanto, o número de pacientes envolvidos não deve por si só determinar se esta questão é considerada eticamente importante. Mesmo que a inconsciência completa seja desejada por apenas alguns pacientes, há um imperativo moral para que as organizações de anestesia nacional, cuidados paliativos e enfermagem se preparem para a possibilidade de que a anestesia geral em cuidados de final de vida possa ser solicitada por alguns pacientes, e trabalhar em colaboração para desenvolver protocolos claros para abordar todas as questões práticas, éticas e médico-legais em questão”.

Acesse o artigo completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Oxford (em inglês).

Fonte: Universidade de Oxford. Imagem: Luis Galvez via Unsplash.

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