Notícia

Enxaqueca pode estar relacionada ao aumento do risco de hipertensão arterial após a menopausa

Estudo envolveu 56.202 mulheres que não tinham hipertensão ou doença cardiovascular na idade em que a menopausa começou

Pixabay

Fonte

Academia Americana de Neurologia

Data

sábado, 24 abril 2021 07:35

Áreas

Medicina. Neurologia. Saúde da Mulher.

Mulheres que têm enxaqueca antes da menopausa podem ter um risco aumentado de desenvolver hipertensão arterial após a menopausa, de acordo com um estudo publicado na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia (AAN).

“A enxaqueca é um distúrbio debilitante, frequentemente resultando em várias dores de cabeça severas por mês e, normalmente, vivenciado com mais frequência por mulheres do que por homens”, disse o Dr. Gianluca Severi, pesquisador do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) em Paris e um dos autores do estudo. “A enxaqueca é mais prevalente em mulheres nos anos anteriores à menopausa. Após a menopausa, menos mulheres experimentam enxaquecas; no entanto, é quando a prevalência de pressão alta em mulheres aumenta. A enxaqueca é um fator de risco para doenças cardiovasculares. Portanto, queríamos determinar se uma história de enxaqueca está ligada a um risco aumentado de hipertensão após a menopausa”, destacou o pesquisador.

O estudo envolveu 56.202 mulheres que não tinham hipertensão ou doença cardiovascular na idade em que a menopausa começou. Desse grupo, 46.659 mulheres nunca tiveram enxaqueca e 9.543 mulheres tiveram enxaqueca. As mulheres foram acompanhadas por até 20 anos e completaram pesquisas de saúde a cada dois a três anos. Ao final do estudo, 11.030 mulheres relataram ter passado por enxaqueca.

Um total de 12.501 mulheres desenvolveram hipertensão durante o estudo. Isso incluiu 9.401 das mulheres sem enxaqueca e 3.100 das mulheres com enxaqueca. Mulheres com enxaqueca também desenvolveram pressão alta em uma idade mais jovem do que mulheres sem enxaqueca. A idade média de diagnóstico para mulheres sem enxaqueca foi de 65 anos e para mulheres com enxaqueca foi de 63 anos.

Os pesquisadores calcularam o risco de desenvolver pressão alta usando pessoas-anos, que representam tanto o número de pessoas no estudo quanto a quantidade de tempo que cada pessoa passou no estudo.

Durante as 826.419 pessoas-ano no estudo, houve uma taxa geral de 15 casos de hipertensão arterial diagnosticados para cada 1.000 pessoas-ano. Para mulheres sem enxaqueca, a taxa foi de 14 casos para cada 1.000 pessoas-ano, em comparação com 19 casos por 1.000 pessoas-ano para mulheres com enxaqueca.

Depois de ajustar para fatores como índice de massa corporal, níveis de atividade física e histórico familiar de doenças cardiovasculares, os pesquisadores descobriram que mulheres que tinham enxaqueca antes da menopausa tinham um risco 29% maior de desenvolver hipertensão arterial após a menopausa.

Os pesquisadores descobriram que o risco de desenvolver hipertensão foi semelhante em mulheres com enxaqueca com ou sem aura.

“Existem várias maneiras pelas quais a enxaqueca pode estar ligada à hipertensão. Pessoas com enxaqueca têm mostrado sinais precoces de rigidez arterial. Vasos menores e mais rígidos não são tão capazes de acomodar o fluxo sanguíneo, resultando em aumentos de pressão. Também é possível que as associações sejam devidas à genética. Uma vez que pesquisas anteriores mostram que a enxaqueca aumenta a probabilidade de eventos cardiovasculares, a identificação de fatores de risco adicionais, como a maior probabilidade de hipertensão entre pessoas com enxaqueca, pode ajudar no tratamento ou prevenção individualizado”, concluiu o Dr. Gianluca Severi.

O estudo não mostra que a enxaqueca causa pressão alta após a menopausa, mas apenas que pode existir uma associação entre os dois eventos (enxaqueca e hipertensão). Uma limitação do estudo é que a enxaqueca foi autorrelatada pelas mulheres e pode ter sido classificada incorretamente. A pressão arterial elevada também foi relatada pela própria participante, o que significa que alguns casos podem ter sido desconsiderados.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Associação Americana de Neurologia (em inglês).

Fonte: Associação Americana de Neurologia. Imagem: Pixabay.

 

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