Notícia

Durante gravidez, enjoo matinal severo pode estar associado à depressão

Pesquisadores descobriram que quase metade das mulheres com hiperêmese gravídica sofrem depressão pré-natal e quase 30% podem ter depressão pós-parto

Ryan Franco via Unsplash

Fonte

Imperial College de Londres

Data

domingo, 25 outubro 2020 14:55

Áreas

Neurociências. Saúde da Mulher.

O enjoo matinal grave, conhecido como hiperêmese gravídica (HG), é uma condição debilitante que pode afetar mulheres durante a gravidez. Muito mais sério do que o enjoo matinal “normal”, é um dos motivos mais comuns de hospitalização durante a gravidez e pode continuar até o nascimento. As mulheres podem ficar acamadas por semanas, sofrer desidratação, perder peso e até mesmo ficar temporariamente incapacitadas de trabalhar ou cuidar de outros filhos.

Um estudo, realizado por pesquisadores do Imperial College de Londres e pelo Imperial College Healthcare NHS Trust, descobriu que quase metade das mulheres com HG sofrem depressão pré-natal e quase 30% podem ter depressão pós-parto. Em mulheres sem a condição, apenas 6% experimentam depressão pré-natal e 7% sofrem depressão pós-parto. Os resultados foram publicados na revista científica BMJ Open.

A Dra. Nicola Mitchell-Jones, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e autora principal do estudo, acredita que o impacto psicológico da condição não é levado suficientemente a sério tanto pelos profissionais de saúde quanto pelo público em geral.

“Nosso estudo mostra que as mulheres com HG têm cerca de oito vezes mais probabilidade de sofrer de depressão pré-natal e quatro vezes mais probabilidade de ter depressão pós-parto. Algumas mulheres no estudo até pensaram em se machucar enquanto sofriam de HG. Esses números são chocantes e devem se refletir no tratamento que as mulheres recebem. Precisamos fazer muito mais do que simplesmente tratar os sintomas físicos da HG; avaliação da saúde mental o apoio também deve ser rotina para qualquer mulher com a doença”, destacou a pesquisadora.

O estudo recrutou 214 mulheres em três hospitais de Londres no primeiro trimestre de gravidez. Metade foi recrutada na admissão ao hospital com sintomas de HG. Um grupo de controle de tamanho semelhante, sem náuseas ou vômitos significativos, foi recrutado por meio de uma clínica pré-natal. Nenhuma das participantes do estudo havia recebido tratamento para problemas de saúde mental no último ano. As mulheres foram avaliadas quanto ao seu bem-estar psicológico no primeiro trimestre da gravidez e seis semanas após o parto.

Das mulheres com HG, 49% experimentaram depressão durante a gravidez, em comparação com apenas 6% no grupo de controle. Apenas 7% do grupo de controle teve depressão pós-parto, em comparação com 29% grupo com HG. Metade das mulheres com HG foram forçadas a tirar quatro ou mais semanas de folga do trabalho durante ou após a gravidez.

Embora o estudo não tenha encontrado nenhuma ligação direta entre HG e vínculo mãe-bebê, outra pesquisa mostrou que a depressão pode ter um efeito negativo sobre esse vínculo. Infelizmente, oito mulheres com HG recrutadas para o estudo interromperam a gravidez, apesar de originalmente expressarem o desejo de ter o bebê. “Embora não possamos dizer que a HG foi a principal razão para essas decisões, pode certamente ter desempenhado um papel que é de partir o coração”, disse a Dra. Mitchell-Jones, que sofreu de HG durante sua primeira gravidez em 2018.

“Eu estava entrando e saindo do hospital, passei quase seis meses na cama – mas tive a sorte de ter um empregador e uma família que me apoiaram. Muitas mulheres não podem ficar tanto tempo fora do trabalho ou são mães que ficam em casa com filhos pequenos para cuidar. Muitas vezes seus parceiros, parentes ou colegas de trabalho não estão fornecendo o apoio de que precisam porque não conseguem entender o gravidade do que essas mulheres estão passando. Precisamos educá-las, assim como aos profissionais de saúde”, alertou a Dra. Mitchell-Jones.

A Dra. Mitchell-Jones espera que as descobertas possam ajudar a melhorar a compreensão da HG e mudar as diretrizes clínicas sobre como as mulheres com a doença são tratadas, para incluir um rastreamento psicológico e encaminhamento para um especialista em saúde mental quando necessário.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página do Imperial College de Londres (em inglês).

Fonte: Maxine Myers, Imperial College de Londres. Imagem: Ryan Franco via Unsplash.

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