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Sonhos estão ligados à melhor consolidação da memória e regulação emocional

Fonte

UCI | Universidade da Califórnia em Irvine

Data

sexta-feira. 17 maio 2024 10:45

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Sono e Cognição da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, examinou como a lembrança dos sonhos e o humor afetaram a consolidação da memória e a regulação emocional do dia seguinte. As descobertas, publicadas recentemente na revista Scientific Reports, indicam um compromisso em que as memórias com maior carga emocional são priorizadas, mas a sua gravidade é diminuída.

“Descobrimos que as pessoas que relatam sonhos apresentam maior processamento de memória emocional, sugerindo que os sonhos nos ajudam a trabalhar nossas experiências emocionais”, disse a Dra. Sara Mednick, autora sênior do estudo, professora de Ciências Cognitivas da UCI e chefe do laboratório. “Isso é significativo porque sabemos que os sonhos podem refletir nossas experiências de vigília, mas esta é a primeira evidência de que eles desempenham um papel ativo na transformação das respostas às nossas experiências de vigília, priorizando memórias negativas em detrimento de memórias neutras e reduzindo nossa resposta emocional do dia seguinte”

A Dra. Jing Zhang, autora principal do estudo que obteve o doutorado em ciências cognitivas na UCI em 2023 e agora é pesquisadora de pós-doutorado na Escola Médica de Harvard, acrescentou: “Nosso trabalho fornece o primeiro suporte empírico para o envolvimento ativo do sonho no processamento da memória emocional dependente do sono, sugerindo que sonhar após uma experiência emocional pode ajudar [a pessoa] a se sentir melhor pela manhã”.

O estudo envolveu 125 mulheres – 75 via Zoom e 50 no Laboratório de Sono e Cognição – que tinham cerca de 30 anos e faziam parte de um projeto de pesquisa maior sobre os efeitos do ciclo menstrual no sono. A sessão de cada participante começou às 19h30 com a conclusão de uma tarefa de imagem emocional na qual visualizaram uma série de imagens que retratavam experiências negativas e neutras (como um acidente de carro ou um campo gramado), avaliando cada uma em uma escala de nove pontos para a intensidade do sentimento que provocou. As participantes receberam imediatamente o mesmo teste com novas fotos e apenas uma amostra das imagens visualizadas anteriormente. Além de avaliar as suas respostas emocionais, as mulheres tiveram que indicar se cada imagem era antiga ou nova, o que ajudou os pesquisadores a desenvolver uma base tanto para a memória como para a resposta emocional.

Em seguida, as participantes foram dormir em casa ou no próprio laboratório. Todas usavam um dispositivo para monitoramento dos padrões de sono-vigília. Ao acordar no dia seguinte, avaliaram se haviam sonhado na noite anterior e, em caso afirmativo, registraram em um diário do sono os detalhes do sonho e o humor geral, utilizando uma escala de sete pontos, de extremamente negativo a extremamente positivo. Duas horas depois de acordar, as participantes completaram a segunda tarefa de imagem emocional da noite anterior para medir a lembrança e a reação da imagem.

“Diferentemente dos estudos típicos de diários de sono que coletam dados ao longo de semanas para ver se as experiências diurnas aparecem nos sonhos, usamos um estudo de uma única noite focado em material emocionalmente carregado e perguntamos se a capacidade de recordar seus sonhos estava associada a uma mudança na memória e resposta emocional”, disse a Dra. Jing Zhang.

As participantes que relataram ter sonhado tiveram melhor lembrança e foram menos reativas às imagens negativas do que às neutras, um padrão que estava ausente naquelas que não se lembravam de ter sonhado. Além disso, quanto mais positivo o sonho, mais positivamente a participante avaliou as imagens negativas no dia seguinte.

“Esta pesquisa nos dá uma nova visão sobre o papel ativo que os sonhos desempenham na forma como processamos naturalmente nossas experiências do dia a dia e pode levar a intervenções que aumentem os sonhos, a fim de ajudar as pessoas a superar experiências difíceis de vida”, concluiu a Dra. Sara Mednick.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade da Califórnia em Irvine (em inglês).

Fonte:  Heather Ashbach, Escola de Ciências Sociais da Universidade da Califórnia em Irvine.

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