Destaque

Pesquisadores descobrem que hipertensão, diabetes e obesidade pioraram em adultos jovens, com disparidades raciais e étnicas

Fonte

Universidade Harvard

Data

segunda-feira. 13 março 2023 19:55

Embora os avanços na área da Saúde tenham causado declínios constantes na mortalidade cardiovascular ao longo da segunda metade do século 20, o progresso estagnou, deixando os especialistas em saúde preocupados.

Pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), afiliado à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, analisaram mais de uma década de dados para examinar as taxas de fatores de risco cardiovascular – como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo – entre adultos americanos de 2009 a março de 2020. O estudo foi publicado na revista científica JAMA e apresentado nas Sessões Científicas do American College of Cardiology.

Os pesquisadores observaram um aumento na hipertensão e aumentos significativos nas taxas de diabetes e obesidade entre os adultos jovens, sem melhora significativa no controle da pressão arterial ou do açúcar no sangue. As autoridades estão preocupadas que essas tendências possam refletir a piora da saúde cardiovascular entre os adultos mais jovens na faixa dos 20, 30 e 40 anos. Os cientistas também observaram variações substanciais nessas tendências por raça e etnia.

“O aparecimento de fatores de risco cardiovascular no início da vida está associado a um maior risco de doença cardíaca e eventos agudos, como ataque cardíaco e derrame, resultando em perda substancial de qualidade de vida e anos de vida”, disse o Dr. Rishi Wadhera, coautor do estudo e chefe da seção de Política de Saúde e Equidade no Smith Center for Outcomes Research in Cardiology do BIDMC. “Portanto, o aumento substancial da carga de fatores de risco cardiovascular entre os adultos jovens terá grandes implicações para a saúde pública à medida que a população envelhece”.

Este estudo transversal serial incluiu dados médicos e informações autorrelatadas de 12.924 adultos jovens com idades entre 20 e 44 anos que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de longo prazo conduzida pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O grupo era formado por 51% mulheres, 57% brancos, 12% mexicanos-americanos, 8%  outros hispânicos, 13% negros e 10% de outras raças e etnias.

O Dr. Wadhera e colegas observaram que a prevalência de hipertensão aumentou de 9% durante 2009-2010 para 12% uma década depois. Da mesma forma, os pesquisadores observaram aumentos estatisticamente significativos nas taxas de diabetes,  de 3% para 4%, e de obesidade, de 33% para 41% durante o período do estudo. A porcentagem de adultos jovens com histórico de tabagismo foi alta e não se alterou. Em contraste, as taxas de colesterol alto caíram de 41% em 2009-10 para 36% em 2017-20, uma redução que os cientistas sugerem que reflete a regulamentação governamental do uso de ácidos graxos trans e outros óleos parcialmente hidrogenados em alimentos de conveniência embalados e em restaurantes de comida fast-food.

Os pesquisadores encontraram uma variação substancial na prevalência de fatores de risco por raça e etnia. Os mexicanos-americanos foram o único grupo a experimentar um aumento significativo no diabetes. A obesidade aumentou significativamente em todos os grupos raciais e étnicos, exceto adultos negros. Já as taxas de hipertensão aumentaram entre mexicanos-americanos e outros adultos hispânicos, e os adultos negros tiveram as taxas mais altas de hipertensão.

“A prevalência da hipertensão em adultos jovens negros foi pelo menos duas vezes mais provável do que em todos os outros grupos raciais e étnicos, sem melhora durante o período do estudo”, disse o Dr. Rahul Aggarwal, primeiro autor do estudo e cardiologista no Brigham and Women’s Hospital. “Adultos negros têm altas taxas de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal hipertensiva, bem como as mais altas taxas de mortalidade cardiovascular prematura do país – em parte devido a uma alta carga de hipertensão.

“Essas desigualdades estão enraizadas no racismo estrutural. Soluções escaláveis e realistas são necessárias, tanto programas baseados na comunidade quanto iniciativas de sistema de saúde em larga escala que rastreiem e tratem a pressão arterial descontrolada em jovens adultos negros, em combinação com esforços políticos conjuntos para lidar com as disparidades socioeconômicas”, acrescentou o Dr. Aggarwal.

Os pesquisadores também examinaram as taxas de tratamento e controle de fatores de risco cardiovascular entre adultos jovens. As taxas de tratamento para hipertensão não mudaram significativamente durante o estudo, com apenas aproximadamente 55% dos adultos jovens com hipertensão recebendo tratamento. No entanto, entre os que receberam tratamento, mais de três quartos das pessoas atingiram a meta de pressão arterial em 2017-20. As taxas de tratamento do diabetes também foram baixas, com um em cada dois adultos jovens fazendo terapia para o diabetes. Quase metade dos adultos jovens em tratamento para o diabetes tinha um controle inadequado do açúcar no sangue.

“As taxas de tratamento abaixo do ideal para hipertensão e diabetes são [ainda mais] preocupantes porque muitos adultos jovens não estão cientes de seu diagnóstico”, disse o Dr. Wadhera, que também é professor de Medicina na Escola Médica de Harvard. “O aumento dos fatores de risco cardiovascular que observamos pode resultar em taxas mais altas de ataque cardíaco, derrame e insuficiência cardíaca ao longo da vida e ter grandes implicações para a saúde pública em longo prazo. Nossas descobertas devem ser um apelo à ação para intensificar a saúde pública e as intervenções clínicas focadas na prevenção e tratamento de fatores de risco cardiovascular em adultos jovens”.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Harvard (em inglês).

Fonte: BIDMC Communications via Universidade Harvard.

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