Pesquisa da Unifesp avalia o letramento em saúde de cuidadores(as) de crianças

Destaque

Pesquisa da Unifesp avalia o letramento em saúde de cuidadores(as) de crianças

Fonte

Unifesp | Universidade Federal de São Paulo

Data

terça-feira. 21 março 2023 20:00

Letramento em saúde implica na capacidade de obter, processar e compreender informações, sobretudo aquelas fornecidas pelos(as) médicos(as), e os serviços básicos em saúde para, com isso, realizar decisões pertinentes sobre sua própria saúde e a daquele(s/a/as) por quem a pessoa é responsável. Vale, portanto, o entendimento sobre sinais e sintomas de doenças comuns, doses medicamentosas, meios de disseminação, até métodos de prevenção e tratamento. Uma pesquisa recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) avaliou exatamente isso: o letramento em saúde (LS) de cuidadores(as) de crianças e suas possíveis associações com os desfechos relacionados a cuidados básicos em saúde.

Diante dessa temática, Graziele Leite dos Santos – estudante de Medicina da Unifesp – desenvolveu seu estudo, sob orientação da Dra. Daisy Maria Machado, professora da disciplina de Infectologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo. Foram convidados(as) 63 cuidadores(as) de crianças que frequentam o Centro de Atendimento da Disciplina de Infectologia Pediátrica (Ceadipe) a responderem um questionário sociodemográfico e a participarem de dois instrumentos de avaliação de LS. Ao mesmo tempo, houve a coleta de dados referentes aos(às) pacientes pediátricos(as), como peso, estatura, índice de massa corpórea (IMC), vacinação, procura do serviço médico por intercorrências e número de internações nos últimos 12 meses.

“Nos interessava saber se o letramento em saúde é uma questão preocupante em nosso serviço e quais suas possíveis repercussões no cuidado de pacientes pediátricos(as), possibilitando a busca de estratégias para minimizar desfechos negativos nessa população. É um estudo importante para melhoria no atendimento pelos(as) profissionais da saúde”, explicou a professora Daisy Machado.

Letramento em saúde: desfechos nos cuidados básicos com as crianças

Diferentemente de outros estudos sobre LS, em que pessoas com baixo letramento são menos propensas a usar serviços de saúde, possuem menos conhecimento sobre doenças crônicas e sua gestão ou tendem a realizar visitas evitáveis a hospitais. com maior utilização dos serviços de emergência, os(as) pacientes pediátricos(as) dependentes dos(as) seus(suas) cuidadores(as) que foram avaliados(as) nesse estudo não tiveram essa identificação.

Mesmo os(as) participantes considerados(as) com letramento em saúde ruim, independente do instrumento de avaliação aplicado, não obtiveram maior porcentagem nos desfechos vistos como negativos. A maioria dos(as) pacientes pediátricos(as), mais de 85%, estava com a situação vacinal em dia. Também não foram apresentadas alterações no estado nutricional (mais de 75% classificadas como eutróficas) entre as crianças ou mais buscas pelo serviço médico, ou mesmo maiores números de internações.

Graziele dos Santos destacou que é importante perceber que características como estresse ou privação do sono são alguns fatores que devem ser levados em consideração ao avaliar o resultado do letramento em saúde dos(as) pacientes ou de seus(as) responsáveis: “O letramento e os desfechos de saúde estão relacionados também por vias não causais e são necessários estudos que avaliem quais intervenções reduzem efetivamente as disparidades relacionadas ao letramento em saúde”.

Atenção do(a) profissional sob o letramento em saúde

Diante dos resultados, vale o alerta aos(às) profissionais, gestores(as) de saúde e estudantes para desenvolverem um olhar para o tema e criar intervenções e materiais para melhorar o conhecimento e inclusão. “É um direito do(a) cidadão(ã) participar, entender e se envolver no processo de manutenção de sua saúde”, reforçou Graziele dos Santos. “A menos que as pessoas entendam como seguir as recomendações dos(as) profissionais, os benefícios dos avanços científicos feitos na prevenção e gerenciamento das doenças não serão percebidos e as disparidades nos resultados ficarão exacerbadas”, finalizou.

O Centro de Atendimento da Disciplina de Infectologia Pediátrica (Ceadipe) é vinculado ao Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo. A pesquisa foi um projeto de iniciação científica apresentada no Congresso Acadêmico da universidade no ano de 2022.

Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal de São Paulo.

Fonte: Juliana Narimatsu, Unifesp.

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