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Análise de 30 anos mapeia impacto do abuso de drogas na América do Sul

Fonte

FMUSP | Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Data

quinta-feira. 23 fevereiro 2023 19:45

Um estudo publicado recentemente na revista científica Lancet Psychiatry traz novos esclarecimentos sobre os danos causados pelo abuso de substâncias ilícitas na América do Sul. A pesquisa analisou dados relativos à taxa de mortalidade e ao número de anos vividos com incapacidade atribuíveis ao uso de anfetaminas, cannabis, cocaína e opioides de 1990 a 2019, realizando uma correlação com a legislação e as políticas públicas implementadas na região durante o período.

A iniciativa contou com informações do Global Burden of Disease Study, um estudo sistemático realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em parceria com diversas instituições científicas em todo o mundo.

“No caso das drogas ilícitas, a América do Sul se mostra uma região muito estratégica”, disse o pesquisador Dr. João Maurício Castaldelli-Maia, orientador da pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e primeiro autor do artigo científico. “Somos o maior produtor de cocaína do mundo e um enorme produtor de cannabis, enquanto em relação aos opioides, possuímos baixo uso quando comparados com a média global.”

Entre as tendências observadas nas últimas três décadas, é possível observar uma estabilização no nível dos danos provocados pela maconha no Uruguai, apesar da legalização da cannabis no país. No Brasil, destaca-se o crescimento significativo do ônus à população pelo uso da cocaína, seguido por uma estabilização e decréscimo na curva. Em relação aos opioides, a média global ficou muito acima dos números da América do Sul, embora tenha havido um acréscimo em determinados países, como Brasil e Equador.

O estudo utilizou como principal métrica os DALYs (sigla em inglês), ou Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade, que consistem na soma dos anos perdidos devido à morte prematura e os anos vividos com algum tipo de sequela ou incapacidade, ambos levando em conta a expectativa de vida média da população.

“Esse é um tema que carrega muita ideologia e procuramos tomar o máximo de cuidado para realizar uma discussão balanceada dos dados”, afirmou o Dr. João Castaldelli-Maia, que assina o artigo junto a outros 18 autores de instituições dos EUA, Índia, Chile, Colômbia e Argentina.

Ainda segundo o pesquisador, antes de qualquer conclusão, é preciso uma análise mais atenta dos dados. As taxas de mortalidade e de sequelas, por exemplo, variam significativamente entre os diferentes tipos de drogas. Enquanto a taxa de DALYs associada à cannabis por cada 100.000 indivíduos fica abaixo de 20, na cocaína esse teto sobe para 60 e, no caso dos opioides, para 180 casos. Em relação às anfetaminas, o número de anos vividos com incapacidade devido ao uso da droga é mais que o dobro dos anos perdidos por morte prematura na média global em 2019.

E são vários os fatores específicos que contribuem para explicar esses índices. A faixa etária dos usuários de anfetaminas é bastante jovem, e há uma ampla utilização recreativa dessa droga. Por outro lado, aqueles que sofrem com dores crônicas e condições pré-existentes são mais suscetíveis à dependência de opioides, que muitas vezes são prescritos para tratar essas condições. Além disso, o padrão de uso de substâncias, a pobreza, a desigualdade de renda e o fato de que a América do Sul é um grande fornecedor de cocaína tornam a região única para pesquisas sobre o tema.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Fonte: Assessoria de Comunicação da FMUSP.

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