Notícia

Biomaterial pode tratar incontinência urinária de mães que desenvolvem diabetes na gestação

Tecnologia desenvolvida na Unesp pretende proporcionar mais qualidade de vida às mulheres que sofrem com a disfunção por anos após darem à luz

Dra. Juliana Floriano

Fonte

AUIN | Agência Unesp de Inovação

Data

segunda-feira, 29 novembro 2021 11:25

Áreas

Biomateriais. Engenharia Biomédica. Saúde da Mulher.

Pesquisadores da Universidade Estadual paulista (Unesp) desenvolveram uma nova tecnologia feita com borracha natural (látex) e células-tronco que poderá revolucionar o tratamento e a prevenção contra incontinência urinária em mulheres que desenvolvem diabetes na gestação, condição que favorece a atrofia dos músculos da região pélvica, dificultando sua contração. De baixo custo, fácil manuseio e produzido com matéria prima brasileira, o biomaterial é capaz de regenerar a parte afetada sem causar dor ou demandar sessões de fisioterapia. Testes realizados com animais mostraram que o produto é eficaz e não gera efeitos tóxicos.

A tecnologia, que poderá ser introduzida durante a própria cesárea, é uma membrana que funciona como uma rede para guardar as células-tronco. Após ser inserido na paciente e entrar em contato com os músculos da região pélvica, o material passa a liberar aos poucos proteínas bioativas presentes no látex que, em conjunto com as células-tronco, auxiliam na recuperação do tecido e resgatam sua funcionalidade. “O material oferece condições para que as células ali colocadas se proliferem sem que elas migrem para outros locais do organismo. Como a borracha custa barato, a tecnologia desenvolvida é acessível e tem um alto potencial de ser aplicada”, explicou a Dra. Juliana Floriano, pós-doutoranda da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (FMB-Unesp), e uma das responsáveis pela inovação.

Para atender as mulheres que realizam parto normal, a cientista desenvolveu uma “segunda versão” do produto, um dispositivo vaginal que pode ser introduzido pela própria gestante sem causar desconforto. A diferença é que, ao invés de possuir células-tronco, o dispositivo de látex apenas libera proteínas que atraem esse tipo de célula regenerativa para o local que precisa ser tratado. “Mulheres que não forem para a cesárea e tenham incontinência urinária podem usar esse segundo produto que nós desenvolvemos, que é um dispositivo que a própria paciente insere. Ela mesma coloca e ela mesma remove 10 dias depois”, destacou a Dra. Juliana. As proteínas liberadas pelo material emitem um sinal, como se fosse uma inflamação, atraindo as células-tronco que saem da medula óssea, passam pelos vasos sanguíneos e chegam até os tecidos. Essas células, por sua vez, também emitem sinais que ativam as células-tronco musculares (satélites), que se proliferam e constroem novas fibras saudáveis que recuperam a função da musculatura.

“Não precisa de cirurgia e não dói nada. Esse dispositivo vaginal, desenvolvido em parceria com pesquisadores dos Estados Unidos, possui grande biodisponibilidade em todos os músculos e órgãos importantes para a continência urinária: uretra, bexiga e assoalho pélvico. Ou seja, além de regenerar, ele também poderá atuar na prevenção, já que a mulher também pode desenvolver incontinência urinária após o parto”, destacou a pesquisadora. De acordo com registros médicos, muitas pacientes podem sofrer desse tipo de problema por até dois anos após darem à luz, já que ainda não há um tratamento efetivo, mas sim paliativo.

“Muitas puérperas procuram por fisioterapia ou cirurgia, mas nem a operação é garantia de que a questão será resolvida. 30% voltam a apresentar o distúrbio, já que o tratamento é muito complexo. Elas ficam constrangidas, muitas deixam o mercado de trabalho, além de elevar muito os custos em saúde pública”, relatou a Dra. Juliana, que também é mãe. Embora não tenha sofrido com o problema, a empatia por outras mulheres a fez começar a pensar em tratamentos cada vez mais confortáveis e indolores para as pacientes. “Quero propiciar terapias práticas e seguras para as mulheres que passaram por parto normal ou cesárea”, disse a pesquisadora.

A Dra. Juliana Floriano, que também é pesquisadora honorária do Imperial College de Londres, na Inglaterra, conta que as invenções foram testadas em ratas diabéticas gestantes com miopatia muscular com a ajuda de um modelo experimental que reproduziu nas roedoras o mesmo problema encontrado nas mulheres. As fêmeas tiveram os produtos introduzidos e passaram a ser acompanhadas pelos pesquisadores. Os resultados foram animadores: em apenas dois meses, a musculatura da região pélvica dos animais já havia sido recuperada, respondendo normalmente a estímulos elétricos induzidos pelos cientistas. Além disso, nenhum tipo de efeito tóxico foi observado nas roedoras. “A nossa surpresa foi muito grande quando olhamos para as análises. Ficamos realmente entusiasmados, sem dúvida é um resultado muito promissor”, comemorou a especialista.

As duas novas tecnologias foram patenteadas pela Agência Unesp de Inovação (AUIN)

Acesse a notícia completa na página da AUIN.

Fonte: Assessoria de Comunicação da AUIN. Imagem: Dra. Juliana Floriano.

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