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A idade biológica, e não a data de nascimento, pode revelar a longevidade saudável

Novo estudo sugere que a aceleração da idade epigenética está associada a menores chances de viver até os 90 anos com mobilidade física mantida e função mental intacta

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Fonte

UCSD | Universidade da Califórnia em San Diego

Data

segunda-feira, 1 agosto 2022 06:10

Áreas

Biologia. Bioquímica. Envelhecimento. Genética. Medicina. Metabolismo. Saúde Pública.

Um estudo inédito com 1.813 mulheres idosas sugere que o envelhecimento biológico acelerado do corpo – especificamente a aceleração epigenética da idade – está associado a menores chances de viver até os 90 anos e também ter mobilidade física e função mental intacta.

Na revista científica JAMA Network Open, uma equipe multi-institucional de pesquisadores liderada pela Escola de Saúde Pública e Ciências da Longevidade Humana da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos, relatou que a aceleração da idade epigenética poderia ser usada como um biomarcador de longevidade saudável e estimar o envelhecimento funcional e cognitivo.

“As pessoas mais velhas sabem bem que a idade é apenas um número que pode não ser indicativo do seu estado de saúde. E se tivéssemos uma maneira de medir o quão rápido estamos envelhecendo que pudesse prever nossas chances de viver uma vida longa e saudável? Na pesquisa do envelhecimento, chamamos isso de tempo de saúde de um indivíduo”, disse a Dra. Andrea LaCroix, pesquisadora principal do estudo e professora da UCSD.

A idade cronológica é baseada na data de nascimento de uma pessoa. A idade epigenética refere-se à idade biológica das células, tecidos e sistemas orgânicos de uma pessoa. Se a idade epigenética de um indivíduo for maior que sua idade cronológica, a pessoa está passando por uma aceleração da idade epigenética, que está associada a um maior risco de câncer, doenças cardiovasculares, doença de Parkinson e outras doenças.

Com base em quatro ‘relógios’ epigenéticos diferentes que medem o envelhecimento biológico, cada cinco a oito anos de aceleração da idade epigenética foram associados a 20% a 32% menos chances de viver até os 90 anos com mobilidade e função cognitiva intactas.

“A longevidade é importante porque o número de indivíduos que viverão 90 anos ou mais quadruplicará de 1,9 milhão em 2016 para 7,6 milhões em 2050 somente nos Estados Unidos”, disse a professora LaCroix.

Como parte do estudo prospectivo, a equipe analisou dados sobre o estado físico e cognitivo de 1.813 mulheres que participaram da Women’s Health Initiative, um estudo nacional de saúde de longo prazo financiado pelo Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, e que começou em 1993. A idade média de morte entre os participantes da Iniciativa de Saúde da Mulher foi de 90 anos.

Entre essa coorte, 464 mulheres sobreviveram até a idade de 90 anos com mobilidade e funcionamento cognitivo intactos, 420 viveram até 90 anos, mas sem mobilidade e funcionamento cognitivo intactos, e 929 mulheres morreram antes de completar 90 anos.

As participantes do estudo tinham entre 70 e 72 anos no início do estudo e foram acompanhadas até pelo menos os 90 anos ou o momento de suas mortes. As associações dos relógios de aceleração epigenética da idade com a longevidade saudável foram independentes de outras características mais comuns entre as mulheres longevas com mobilidade e memória intactas em comparação com aquelas que não sobreviveram até os 90 anos, incluindo ser branca, ter nenhuma ou menos condições crônicas na linha de base, ter ensino superior, não fumar e caminhar várias vezes por semana.

“Estudos anteriores mostraram que a aceleração epigenética da idade está associada ao aumento do risco de morte, e alguns estudos observaram que a aceleração da idade mais lenta ocorre entre os indivíduos longevos. Mas este é o primeiro estudo a examinar prospectivamente a relação entre a aceleração da idade mais lenta e com o fato de viver até os 90 anos com mobilidade e memória preservadas”, disse a Dra. Purva Jain, primeira autora do estudo, que completou este trabalho como parte de sua tese de doutorado na UCSD.

“Além disso, nosso estudo sugere que podemos usar a aceleração epigenética da idade para estimar o risco de um indivíduo não atingir uma longevidade saudável, o que pode levar a futuras intervenções de saúde pública para neutralizar os maus resultados de saúde entre as populações mais velhas”, concluiu a Dra. Purva Jain.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade da Califórnia em San Diego (em inglês).

Fonte: Yadira Galindo, UCSD. Imagem: rawpixel via Freepik.

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