Injetor de fármacos sem agulha obtém acordo de comercialização nos Estados Unidos

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Informações
Data no Tech4Health: 11 de dezembro de 2017


Fonte
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
Data
11/12/2017
Áreas
Farmácia. Farmacologia. Infusão de Fármacos. Indústria Farmacêutica. Engenharia Biomédica.

Notícia


Certos tratamentos para pacientes que sofrem de doenças crônicas, como doenças inflamatórias intestinais, requerem múltiplas injeções intravenosas ou subcutâneas de medicamentos específicos. Devido à dor e à ansiedade associadas às agulhas, alguns pacientes param de aderir a esses tratamentos.

A startup Portal Instruments, empresa iniciada por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, já conseguiu um acordo de comercialização para um dispositivo de injeção inteligente e sem agulhas que poderia reduzir a dor e a ansiedade associadas às injeções com agulhas, reduzir o tempo de administração e melhorar a adesão do paciente.

Com base na pesquisa do Dr. Ian Hunter, professor de Termodinâmica no MIT, a startup desenvolveu um dispositivo de injeção de jato que oferece um fluxo rápido e de alta pressão de medicamentos, tão fino quanto um fio de cabelo, através da pele em dosagens ajustáveis, causando pouca ou nenhuma dor. Um aplicativo conectado rastreia cada dose e os efeitos do medicamento, e carrega essa informação para a nuvem, para pacientes e médicos. O produto seria comercializado como uma combinação fármaco-dispositivo para profissionais médicos e fornecido aos pacientes com receita médica.

No mês passado, a Portal Instruments anunciou uma colaboração com o gigante grupo farmacêutico japonês Takeda para desenvolver e comercializar o dispositivo, chamado PRIME. O primeiro potencial candidato a drogas é o Entyvio de Takeda, um anticorpo para adultos com colite ulcerativa ou doença de Crohn. Atualmente, o Entyvio é administrado através de infusão intravenosa e submetido a ensaios clínicos de fase III para injeções subcutâneas. A Startup receberá um pagamento inicial, com potencial para receber até US $ 100 milhões.

"É uma oportunidade fantástica para melhorar a vida dos pacientes com doença de Crohn e colite ulcerativa", diz o CEO Patrick Anquetil, co-fundador da Startup e doutorado pelo MIT. A colaboração permite que a empresa trabalhe junto com a equipe de pesquisa e desenvolvimento da Takeda no produto enquanto o negócio avança, acrescenta o Dr. Patrick Anquetil.

Injeções e aderências melhoradas

O dispositivo acomoda uma ampla gama de produtos biológicos - terapêutica feita a partir de componentes biológicos, como proteínas e células vivas - que atualmente exigem injeções com agulhas. Estes incluem tratamentos hormonais, insulina, vacinas e outras terapêuticas para várias doenças crônicas. Como essas drogas têm um alto peso molecular, elas requerem volumes elevados e possuem alta viscosidade, o que significa que o paciente deve pressionar o dispositivo com a seringa por 10 a 20 segundos, o que pode ser doloroso. De acordo com estimativas da U.S. Food and Drug Administration (FDA, a agência reguladora americana) e dos Centros para Controle de Doenças, as taxas de adesão para produtos biológicos injetados variam de cerca de 40 a 70 por cento.

O novo dispositivo tem o tamanho barbeador elétrico. As drogas são carregadas em uma embalagem descartável de uso único, que tem um pequeno bico na ponta. Uma vez que o fármaco é colocado no dispositivo, um atuador eletromagnético linear empurra um pistão contra o recipiente, pressionando o medicamento e expulsando um jato de alta pressão através do bico.

Saindo pelo bico do dispositivo com uma velocidade em torno de 200 metros por segundo, o fluxo penetra na pele e nos tecidos. "Se você fizer a matemática, o jato sai em cerca de Mach 0.7, quase a velocidade de cruzeiro de um avião comercial médio", diz o Dr. Anquetil.

Existem outros dispositivos comerciais de injeção por jato. Mas estes não oferecem nenhum método eficaz para controlar o jato, "o que causa desconforto no paciente e injeções sub-ótimas" de certas terapêuticas, diz o desenvolvedor. Em geral, esses dispositivos carregados com mola sempre expulsam a mesma dose de medicamento, com a mesma profundidade de injeção.

O novo dispositivo ajusta automaticamente a velocidade de injeção da dose. A chave é um sistema de controle em malha fechada desenvolvido pelo Dr. Ian Hunter no Laboratório de Bioinstrumentação do MIT. Este sistema monitora constantemente a trajetória de injeção e fornece realimentaçãoo em tempo real ao atuador para controlar o fluxo de saída. Assim, pode atingir uma profundidade específica da pele e localização para doses exatas de drogas. O primeiro artigo científico sobre esta tecnologia foi publicado em 2012 na revista Medical Engineering and Physics.

O dispositivo também pode acomodar diferentes terapêuticas, sem alterações no dispositivo real. Por exemplo, injeções de alta pressão para alguns medicamentos podem ultrapassar a pele, enquanto as injeções de baixa pressão para outras drogas podem produzir fluxos mais lentos para serem absorvidos pelo tecido circundante.

Para promover ainda mais a adesão, a empresa desenvolveu um aplicativo conectado que rastreia automaticamente cada dose adotada. Os pacientes também podem registrar como estão se sentindo depois de usar o dispositivo. Se o medicamento administrado for para a artrite, por exemplo, o paciente pode indicar as articulações que ainda doem em uma imagem digital. Esta informação é sincronizada com um painel da Web usado pelos médicos para verificar a adesão e a satisfação do paciente e ajustar os tratamentos.

Acesse a matéria completa no site do MIT (em inglês).

Fonte: Rov Matheson, MIT News Office. Imagem: Portal Instruments.