Estudo inédito aponta tipo de poluente que pode causar nascimentos prematuros

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Informações
Data no Tech4Health: 8 de janeiro de 2018


Fonte
Universidade Monash
Data
08/01/2018
Áreas
Medicina. Obstetrícia. Saúde Pública.

Notícia


Um estudo inédito sobre o impacto da poluição de partículas pequenas - menores que 1 mícron, ou 1 milésimo de milímetro (PM1) - em partos prematuros foi feito em mais de 1,3 milhão de nascimentos em áreas rurais e urbanas em toda a China.

O estudo complexo, publicado na revista científica “Journal of the American Medical Association Pediatrics”, analisou dados de satélites, informações geográficas e de meteorologia combinados com os endereços domiciliares das mulheres no estudo para vincular com precisão a poluição do tipo PM1 com uma maior incidência de partos prematuros.

O estudo descobriu que um aumento de particulados PM1 de 10 microgramas por metro cúbico durante toda a gravidez elevou em 9% do risco de parto prematuro. Em áreas de poluição muito alta (mais de 52 microgramas por metro cúbico) houve um risco 36% maior de partos prematuros.

O parto prematuro é a principal causa de morte em recém-nascidos e crianças com menos de 5 anos em todo o mundo. Também pode causar problemas de saúde em longo prazo, como asma e distúrbios metabólicos.

Não há padrões de poluição do ar em nenhum país relacionado ao PM1 (a maioria dos países avisa apenas sobre PM10 e PM2.5) e os autores do estudo sugerem uma revisão urgente desses padrões com recomendações como o uso de uma máscara ao ar livre quando os níveis de poluição PM1 atingirem níveis muito elevados.

O estudo, liderado pelo Dr. Yuming Guo, da Escola de Saúde Pública e Medicina Preventiva da Universidade de Monash, na Austrália, com colegas da Universidade de Pequim e do Instituto Nacional de Pesquisa em Planejamento Familiar na China, também descobriu que as mulheres expostas ao PM1 mais propensas a terem um parto prematuro foram:

  • Menores de 20 anos ao engravidar
  • Vindas de áreas rurais
  • Vindas de um contexto socioeconômico mais baixo (e menos propensas a pagarem ou usarem máscaras)
  • Envolvidas na agricultura
  • Com sobrepeso antes da gravidez
  • Com o parto no outono, possivelmente porque é um momento em que as pessoas, particularmente nas áreas rurais, estão realizando as colheitas.

 

Com o rápido crescimento da economia e expansão da população urbana, a China está enfrentando sérios problemas de poluição do ar, que causa 1,6 milhão de óbitos por ano em todo o país. O material particulado com diâmetro de até 2,5 mícrons (PM2.5) tem atraído crescente interesse da comunidade científica e seus efeitos adversos para a saúde foram documentados por numerosos estudos.

O PM1, uma parte importante do PM2.5, raramente foi estudado, apesar de representar mais de 80% da massa de PM2.5 no meio ambiente em alguns llugares, particularmente na China. De acordo com o Dr. Yuming Guo, devido ao menor tamanho de partícula, o PM1 pode ser mais prejudicial do que o PM2.5 e mais fortemente associado a alguns resultados importantes para a saúde.

Estudos globais anteriores sobre os efeitos do PM2.5 foram restritos a medidas realizadas em estações de monitoramento terrestre. O estudo atual utilizou dados de sensoriamento remoto por satélite combinados com o monitoramento diário do solo para estimar com precisão as concentrações de PM1 em toda a China, entre 1 de dezembro de 2013 e 30 de novembro de 2014.

Em dezembro de 2017, a revista científica “British Medical Journal” publicou um estudo no Reino Unido mostrando que a cada 10% de redução de PM2,5 - 90 bebês são protegidos contra o nascimento com baixo peso em Londres. O padrão da Agência de Proteção Ambiental para PM2.5 é de 12 microgramas por metro cúbico em média em três anos, e a Organização Mundial de Saúde sugere 10 microgramas como limite.

Segundo o Dr. Yuming Guo, este último estudo publicado na revista “JAMA Pediatrics” revela que não existe um nível real seguro de poluição do ar em relação aos partos prematuros. Ele disse que seu estudo levanta preocupações com a falta de monitoramento de PM1 na atmosfera em países desenvolvidos e em desenvolvimento e a necessidade de fornecer máscaras para mulheres grávidas quando os níveis de PM1 chegarem a um nível associado ao aumento do risco de parto prematuro. "Um parto prematuro pode causar efeitos negativos, seja em longo ou em curto prazo, tanto para a família quanto para os custos médicos anuais de um país É importante, à luz dessas descobertas, revisar os padrões de poluição para os níveis de PM1 para reduzir o impacto nos partos prematuros", concluiu o pesquisador.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Fonte: Universidade Monash. Imagem: Divulgação.