Varizes: causas, sintomas, prevenção e novos tratamentos

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Informações
Data no Tech4Health: 1 de dezembro de 2015


Fonte
SBAVC, Hospital São Luiz, Harvard Medical School, Portal Vascular.Pro, Clínica Miyake e revista Phlebology
Data
01/12/2015
Áreas
Angiologia. Cirurgia Vascular.

Notícia


Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), as varizes são veias superficiais anormais, dilatadas, cilíndricas ou saculares, tortuosas e alongadas, caracterizando uma alteração funcional da circulação venosa do organismo, com maior incidência no sexo feminino. As principais queixas clínicas dos pacientes são: dor tipo "queimação" ou "cansaço", sensação das pernas estarem pesadas ou ardendo, edema (inchaço) das pernas, principalmente ao redor do tornozelo, que, frequentemente, melhoram com a elevação dos membros inferiores e agravam-se no fim do dia, quando se permanece por longo tempo em pé ou sentado, no calor, nos períodos próximo ou durante a menstruação e também durante a gravidez. Não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação de varizes e depilação ou uso de salto alto, assim como não há influência com relação a carregar peso. Subir escada pode ser considerado até um exercício físico, portanto, ajuda a incrementar o retorno venoso.

Esclarecimentos do especialista

No Blog do Hospital São Luiz com a Saúde, o cirurgião vascular Dr. Alexandre Fioranelli, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, em São Paulo, fala sobre as causas e sintomas das varizes, e quais atitudes tomar para prevenir ou remediar esse problema:

O que são as varizes?

Varizes consistem na dilatação, tortuosidade e alongamento de vasos sanguíneos venosos, prejudicando o retorno do sangue das extremidades do corpo para o coração, em função da perda da elasticidade e dilatação. Aparecem mais comumente em membros inferiores e é um problema que afeta quase 40% da população brasileira, sendo mais comum entre as mulheres, por causa do estrogênio e progesterona.O principal fator que determina o surgimento das varizes é a hereditariedade.

Há relação direta entre uma certa idade e uma maior incidência do problema? Se sim, em qual idade ele geralmente aparece?

A incidência do problema varia de pessoa para pessoa e se há ou não predisposição genética. O que podemos dizer é que normalmente as varizes costumam aparecer após a puberdade, quando os homens crescem em estatura e as mulheres recebem uma carga maior de hormônio. Também são comuns na gravidez, em virtude do aumento do útero, o que dificulta o retorno do sangue venoso.

Quais seriam os primeiros indícios do problema?

Em virtude da veia dilatada, sua função fica comprometida, levando a sintomas iniciais como dor, sensação de peso, queimação, cansaço, inchaço ao redor do tornozelo e cãibras. Durante a menstruação e gravidez os sintomas tendem a piorar.

Quais são as principais recomendações para uma prevenção eficiente?

As recomendações para prevenir as varizes são as mesmas, independente da faixa etária. Isso porque o surgimento e intensidade do problema variam de pessoa para pessoa e da carga genética. Diversos fatores devem ser levados em consideração, para que não surjam as varizes ou que elas não tenham tanto impacto:

  • Uma alimentação saudável e balanceada para controle do excesso de peso é importante em qualquer faixa etária.
    • Evitar ficar na mesma posição por períodos longos. Procurar andar a cada uma ou duas horas para movimentar os músculos da panturrilha. Realizar exercícios com os pés (como se estivesse apertando e soltando um pedal), mesmo sentado, auxilia na drenagem venosa. Movimente-se, isso auxilia o sangue a circular.
    • Realizar exercícios aeróbicos, como natação, caminhada, corrida e bicicleta tem ação preventiva, pois melhora a função da panturrilha.
    • Não utilizar roupas excessivamente apertadas como calças jeans, cintos, meias ou botas que pressionem as panturrilhas.
    • Mantenha as pernas elevadas por um período de 20 a 30 minutos diariamente.
    • Sempre que possível, ao deitar-se, mantenha as pernas elevadas.
    • Evitar o tabagismo. O cigarro é extremamente prejudicial e, associado com outros hábitos, pode ocasionar as varizes.

Existem recomendações específicas para mulheres?

Para as mulheres com predisposição genética para as varizes, cabe um alerta especial: com o uso do salto alto, o sangue pode ficar represado com mais facilidade nos músculos da panturrilha. Por outro lado, o pé reto também provoca um esforço maior para bombear o retorno venoso. O ideal, portanto, é a utilização de um salto baixo, de dois centímetros, para que esses músculos fiquem em posição confortável. Além disso, O uso de anticoncepcionais também pode provocar o surgimento das varizes. Por isso, é recomendável consultar um especialista antes de iniciar o tratamento.

Existem cuidados especiais para mulheres na menopausa?
A reposição hormonal é outro fator que pode estar associado ao surgimento das varizes. Para prevenir o surgimento do problema ou minimizar os sintomas recomenda-se consultar um especialista para maiores orientações antes de iniciar a reposição hormonal. Com o avanço da idade, o colágeno existente na parede das veias tende a diminuir, facilitando a dilatação das veias, e em consequência o surgimento das varizes. É indispensável a avaliação e orientação do cirurgião vascular tanto na ação preventiva como para tratamento dessa doença tão comum na sociedade moderna.

(Final da entrevista com o Dr. Alexandre Fioranelli)

Recursos tecnológicos para os exames diagnósticos

O uso de recursos tecnológicos auxilia tanto no diagnóstico da doença, que na maioria das vezes é aparente e de simples detecção em exame clínico, mas também na orientação do tratamento mais adequado para cada caso. Neste sentido, são usados recursos que permitem a visualização e avaliação do retorno venoso, incluindo a possibilidade de verificar a atuação das válvulas direcionais venosas: caso estas não funcionem adequadamente, pode ocorrer o que se chama refluxo sanguíneo, o que diminui a eficiência do retorno do sangue para o coração. Alguns dos exames mais usados são:

Eco Doppler Colorido (ou Ultrassonografia Vascular com Doppler Colorido)

O exame de ultrassom (ecografia) com Doppler colorido permite avaliar as veias superficiais e os vasos que ligam as veias superficiais com as profundas, avaliando melhor o quadro de insuficiência venosa.  Com o ultrassom, pode-se visualizar e avaliar o fluxo sanguíneo nas veias safenas e vasos adjacentes, a elasticidade dos vasos, sua dilatação e a ocorrência de refluxo sanguíneo.

Assista ao vídeo sobre Eco-Doppler dos membros inferiores produzido pelo Programa Harvard Medical School de Portugal:

Fotopletismografia venosa

Segundo estudo publicado pelo Dr. Orlando Adas Saliba Jr. e colegas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) de Botucatu, “a Fotopletismografia Venosa (FPG), é um método de avaliação de função venosa de fácil execução e não-invasivo, que avalia o tempo de reenchimento venoso (TRV), fornecendo um parâmetro objetivo de quantificação do refluxo venoso. A FPG também é usada no acompanhamento de pacientes candidatos a cirurgia de varizes no pré e pós-operatório. O TRV é medido e registrado em uma curva a partir de uma linha de base. O valor do TRV é uma medida indireta do retorno venoso e da incompetência das valvas.”

Assista ao vídeo sobre FPG publicado pelo Dr. Alexandre Amato, do Portal Vascular.Pro:

 

Avanços e novos tratamentos

O tratamento específico das varizes depende, fundamentalmente, da veia a ser tratada. Aqueles cordões varicosos, salientes e visíveis, que elevam a pele, e aquelas pequenas veias de trajeto tortuoso ou retilíneo são de tratamento cirúrgico; já as telangiectasias ou aranhas vasculares devem ser tratadas pela escleroterapia (injeção de uma solução esclerosante dentro destes vasos).

Portanto, dependendo do caso, as técnicas minimamente invasivas são alternativas que vêm sendo muito utilizadas para o tratamento das varizes. Estas técnicas incluem a ablação endovenosa por radiofrequência, a ablação endovenosa por laser, a escleroterapia, a escleroterapia com espuma ou a crioescleroterapia (chamada ClaCs – Cryolaser e Cryo escleroterapia). Esta última técnica foi desenvolvida pela Clínica Miyake e combina laser, escleroterapia e jatos de ar gelados sobre a pele, com a injeção de substância esclerosante, como a glicose.

Na edição de novembro de 2015 da revista científica Phlebology (flebologia é uma especialidade da angiologia e cirurgia vascular que estuda o sistema venoso), foi publicado um suplemento exclusivo sobre “veias e varizes”. Esta edição contém oito artigos científicos que abordam as evidências das técnicas minimamente invasivas citadas anteriormente, esclarecendo sobre as melhores circunstâncias de aplicação.

Os artigos estão em inglês e apenas os resumos têm acesso livre. Acesse o suplemento da edição de novembro da revista Phlebology.

 

Bibliografia e outros materiais para informações adicionais:

Piazza, G. Varicose Veins. Circulation, Vol. 140, p.582-587, 2014.

Brittenden, J. et al. Clinical effectiveness and cost-effectiveness of foam sclerotherapy, endovenous laser ablation and surgery for varicose veins: results from the Comparison of LAser, Surgery and Foam Slerotherapy (CLASS) randomised controlled trial. Health Technology Assesment, Vol. 19, n. 27, 2015.

Saliba Jr., O.A. ; Giannini, M. ; Rollo, H.A. Métodos de diagnóstico não-invasivos para avaliação de insuficiência venosa dos membros inferiores. Jornal Vascular Brasileiro, Vol. 6, n.3, 2007.

Fontes: SBACV, Hospital São Luiz, Harvard Medical Shool, Portal Vascular.Pro, Clínica Miyake e revista Phlebology. Imagem: Divulgação.