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Tuberculose latente: novos estudos apontam terapia mais segura e eficaz

Terapia mais curta para a tuberculose latente pode ser mais segura e eficaz em crianças e adultos do que a terapia padrão

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Fonte

Universidade McGill

Data

terça-feira, 7 agosto 2018 15:25

Áreas

Medicina. Pneumologia. Farmacologia.

O tratamento da tuberculose latente (assintomática) está prestes a se transformar após estudos do Instituto de Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade McGill (RI-MUHC), no Canadá,  revelarem que um tratamento mais curto foi mais seguro e eficaz em crianças e adultos em comparação com o padrão atual. Estes resultados foram publicados no último dia 2 de agosto na revista científica New England Journal of Medicine. O estudo também envolveu pesquisadores brasileiros.

Liderado pelo Dr. Dick Menzies, o estudo acompanhou 850 crianças e 6.800 adultos com tuberculose latente, uma versão da doença que não causa sintomas, mas pode levar a doenças graves caso não seja tratada. Este estudo em crianças é um dos maiores para um ensaio clínico pediátrico relacionado à tuberculose.

A equipe do Dr. Menzies comparou os resultados entre os pacientes com tuberculose latente que foram submetidos ao tratamento padrão atual de nove meses de isoniazida (INH) ou um tratamento de quatro meses com rifampicina. Mais de 85 por cento das crianças completaram a rifampicina sem desenvolver tuberculose ativa, em comparação com 76 por cento das crianças que completaram a isoniazida, sendo que duas desenvolveram tuberculose ativa. Os resultados foram semelhantes em adultos; a aceitação e o término da terapia com rifampicina foram muito melhores, com significativamente menos efeitos colaterais graves, particularmente hepatite induzida por drogas (a INH pode causar toxicidade hepática grave, que pode ser fatal ou exigir um transplante de fígado).

Além de ser um tratamento muito mais curto, as taxas de desenvolvimento de tuberculose ativa foram um pouco menores com a rifampicina, indicando que ela é pelo menos tão eficaz quanto o tratamento de nove meses da INH na prevenção da tuberculose.

“Esta terapia de quatro meses é um fator de mudança fundamental na prevenção da tuberculose”, diz o Dr. Menzies, pneumologista do MUHC e professor de Medicina, Epidemiologia e Bioestatística da Universidade McGill. “O tratamento de quatro meses foi tão eficaz na prevenção da tuberculose quanto o tratamento de nove meses, prém mais seguro e mais aceitável. Acreditamos que este tratamento de rifampicina de quatro meses deve substituir os nove meses de INH para a maioria das pessoas que precisam de terapia para tuberculose latente ”.

Com pacientes originários de oito países diferentes (Austrália, Benin, Brasil, Canadá, Gana, Guiné, Indonésia e Coréia do Sul) em um estudo apoiado pelos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde, o Dr. Menzies espera que os resultados tenham um grande impacto na definição de futuras diretrizes globais relacionadas ao tratamento da tuberculose latente.

“Essas descobertas estimularão um novo olhar sobre as práticas globais”, diz o Dr. Menzies, que atuou como consultor da Agência de Saúde Pública do Canadá, Canadá, Cidadania e Imigração, dos Centros de Controle de Doenças (CDC) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a tuberculose. “Esperamos que esta descoberta tenha um impacto substancial sobre a tuberculose, que continua sendo a principal causa mundial de mortes por doenças infecciosas, causando mais mortes do que a AIDS, malária, doenças diarreicas ou outras doenças tropicais”.

O tratamento da infecção latente por tuberculose é uma parte fundamental da estratégia de prevenção da tuberculose e dos planos de eliminação da tuberculose em países de alta renda da OMS. Um quarto da população mundial está infectada com tuberculose latente e 10% dessas pessoas desenvolverão tuberculose ativa.

O estudo em crianças envolveu pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O estudo em adultos envolveu pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz.

Acesse o artigo científico completo sobre o estudo em crianças (em inglês).

Acesse o artigo científico completo sobre o estudo em adultos (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade McGill (em inglês).

Fonte: Universidae McGill, Media Office. Imagem: Adaptada de freepik.com

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