Notícia

Estudo questiona relação entre gestações e risco cardiometabólico em mulheres

Número de gestações afetaria fatores de risco?

Shutterstock

Fonte

UFPel

Data

segunda-feira, 5 fevereiro 2018 18:35

Áreas

Saúde Pública. Cardiologia. Saúde da Mulher.

O número de gestações que uma mulher já teve não tem efeito direto sobre o desenvolvimento de fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas maternas. É o que sugere um novo estudo desenvolvido em tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A associação entre gestação e risco cardiometabólico é um tema ainda em discussão na ciência. Estudos prévios apontavam o número de filhos como um dos fatores que contribuem para o aumento de obesidade e dos níveis de pressão arterial, glicose sanguínea e perfil lipídico maternos. A pesquisa da UFPel, no entanto, indica que a relação entre paridade e esses fatores não é de causa e efeito.

“Apesar de ser um evento pontual, a gravidez pode trazer consequências duradouras para as mulheres. As mudanças fisiológicas e hormonais do período gestacional são citadas como possíveis mecanismos pelos defensores da hipótese de que quanto maior o número de filhos, maior o risco cardiometabólico. No entanto, mesmo na literatura acadêmica, esse tópico não é consenso”, explica a acadêmica Bárbara Reis-Santos, autora do trabalho realizado sob orientação do epidemiologista Dr. Bernardo Lessa Horta.

Os autores do trabalho adotaram uma estratégia até então inédita em estudos brasileiros para entender a questão. A pesquisa investigou a associação entre número de filhos e fatores de risco cardiometabólico em mulheres e, também, em homens adultos.   “Se a relação entre número de filhos e fatores de risco cardiometabólico se deve a alterações da gravidez que poderiam se acumular, isso irá se confirmar em mulheres, mas não em homens”, aponta Bárbara Reis-Santos.

O grupo de pesquisa utilizou informações de 1.620 mulheres e 1.653 homens, aos 30 anos de idade, que realizaram entrevistas e avaliações de saúde entre 2012 e 2013, dentro da série de acompanhamentos previstos para os participantes da coorte de nascimentos iniciada em 1982 na cidade de Pelotas (RS). Foram coletados dados sobre número de filhos, circunferência da cintura, IMC (Índice de Massa Corporal), percentual de massa gorda, e níveis de pressão arterial, glicemia, colesterol total, LDL e HDL, triglicerídeos e proteína c-reativa. De acordo com os dados, 33% das mulheres e 48% dos homens não tinham filhos.

Os resultados revelam associação entre número de filhos e medidas de IMC e circunferência da cintura para ambos os sexos. Ter filhos representou aumento de 0,96 kg/m2 no IMC de mulheres e de 0,79 kg/m2 no IMC de homens. A circunferência da cintura foi 4,83 cm maior entre mães e 3,41 cm entre pais, no grupo com três filhos, quando comparados com mulheres e homens sem filhos. A paridade também esteve associada a uma redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol HDL apenas em mulheres, o que possivelmente não modifica o risco cardiovascular, uma vez que não houve alterações para o colesterol não-HDL.

Acesse a matéria completa no site da UFPel.

Fonte: Coordenação de Comunicação Social da UFPel. Imagem: Shutterstock

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