Simulador para treinamento em cirurgia cardíaca

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Informações
Data no Tech4Health: 11 de janeiro de 2017


Fonte
Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery
Data
11/01/2017
Áreas
Medicina. Cardiologia. Cirurgia Cardíaca. Biomecânica. Simulação Física.

Notícia


O treinamento e a curva de aprendizado em cirurgia cardíaca exigem um longo período de tempo. A residência médica nessa área dura cinco anos e necessita de uma equipe experiente e multidisciplinar para capacitar o aprendiz. Com a dificuldade de acesso aos cadáveres, tanto em animais quanto em humanos, além das diferenças e particularidades anatômicas entre as espécies, novos métodos de ensino têm sido adotados para a preparação adequada dos futuros cirurgiões cardíacos. Uma das formas existentes para exercitar as habilidades manuais é o ensaio em simuladores artificiais. A validação desse tipo de ferramenta tem sido alvo de estudos em diversas áreas nos últimos anos.

Um artigo publicado na edição de dezembro de 2016 do Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery pelo cirurgião Dr. Roberto Rocha e Silva e colaboradores do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP) mostra os resultados de um simulador de baixo custo para cirurgia cardíaca. Foi proposto o uso de uma caixa plástica transparente que elimina contaminações prévias e problemas de iluminação existentes em modelos antigos e adiciona uma nova metodologia e acessórios para possibilitar a realização de maior número de procedimentos como valvoplastias e correções de defeitos do septo atrial e na artéria aorta.

A preparação do simulador demandou a colocação de um recipiente de plástico transparente sobre uma estrutura de madeira que foi mantida estável através de bandagens elásticas presas nas bordas da caixa, com o fundo virado para cima, onde uma abertura foi feita para “simular” uma toracotomia. Para exercícios básicos na aorta, o modelo foi apresentado no Congresso Brasileiro de Cirurgia Cardiovascular de 2015 contendo uma bandeja de gelo de silicone, onde foi possível treinar técnicas para a sutura aórtica, aortotomia, aortoorratia e anastomoses proximal e distal. Foram adicionados simuladores para o treinamento de substituição valvar e valvoplastia, reparo do septo interatrial e doenças aórticas. Estes simuladores são baseados em tubos obtidos em lojas de materiais de construção e as bandejas de silicone e o tecido de acetato vinil etileno foram obtidos em lojas de utilidades, a um custo muito baixo.      

Os resultados mostraram que os modelos foram fabricados com materiais inertes facilmente encontrados em lojas, além de não apresentarem risco de contaminação. Também foram usados ​​em diversos ambientes e armazenados sem qualquer dificuldade quanto à esterilização. O treinamento realizado permitiu aos jovens cirurgiões ficarem familiarizados com diferentes técnicas cirúrgicas, incluindo procedimentos para doenças aórticas consideradas de difícil execução. Em uma avaliação subjetiva, os cirurgiões relataram que o período de treinamento levou ao aprimoramento das habilidades nas técnicas cirúrgicas simuladas.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Fonte: Brazilian Jounal of Cardiovascular Surgery. Imagem: Divulgação.