Perda auditiva senil e a atividade vestibular

Alterar o tamanho da letra
A- | A+

Informações
Data no Tech4Health: 7 de janeiro de 2017


Fonte
Brazilian Journal of Otorhinolaryngology
Data
07/01/2017
Áreas
Medicina. Otorrinolaringologia. Saúde Pública.

Notícia


A perda auditiva neurossensorial (PANS) é o tipo mais comum de deficiência sensorial, afetando mais de 360 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo considerada um problema de saúde pública, independentemente da etiologia. Um número considerável de pacientes com PANS também sofre de tonturas e sintomas vestibulares relacionados. Portanto, é altamente possível uma relação entre PANS e disfunção vestibular, sem que haja evidência de qualquer doença sistêmica ou da orelha interna que poderia causar vestibulopatia. Muitos pacientes comparecem em clínicas de otorrinolaringologia com queixas de tontura e perda auditiva sem uma doença óbvia e são diagnosticados com presbiacusia ou vestibulopatia relacionada com a idade.

Pesquisadores turcos publicaram na edição de dezembro de 2016 do Brazilian Journal of Otorhinolaringology um estudo prospectivo, duplo-cego e controlado com 63 pacientes adultos, sem quaisquer sintomas vestibulares ou doença vestibular diagnosticada. A audição foi avaliada por meio de audiometria tonal e o sistema vestibular, com potenciais evocados miogênicos vestibulares (PEMV). Os pacientes foram divididos em dois grupos: grupo de estudo (pacientes com PANS) e grupo de controle (pacientes sem PANS). Os resultados dos PEMV dos grupos foram calculados e comparados. Os pacientes com perda auditiva do tipo mista, doenças do canal auditivo externo, membrana timpânica perfurada, anormalidades da orelha média, qualquer tipo de doença vascular ou neurológica diagnosticada, doenças vestibulares periféricas confirmadas ou história de cirurgia otológica ou da base lateral do crânio foram excluídos. Os resultados mostraram que as latências médias encontravam-se prolongadas nos pacientes com PANS no teste de PEMV.

Dentre as explicações para os achados encontrados, a proximidade anatômica entre o sáculo e a platina do estribo pode ter um potencial papel na disfunção vestibular, particularmente em pacientes com história de exposição ao ruído crônico. Sob o ponto de vista embriológico, o sáculo e a cóclea se desenvolvem a partir da mesma origem no labirinto membranoso, o qual é inervado pela porção inferior do nervo vestibular. Além disso, o sáculo atua como órgão de sensibilidade acústica em espécies inferiores; portanto, como órgão de sensibilidade vestibular, ele pode ser considerado como um desenvolvimento tardio em humanos. Os autores concluíram que a PANS relacionada à idade pode estar acompanhada por hipofunção vestibular, sem que hajam quaisquer fatores predisponentes possíveis para a vestibulopatia.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Fonte: Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. Imagem: Pixabay.